Por Danylo Martins

O apelo ao consumo está em todos os lugares, das pequenas lojas aos shoppings centers. Com tanta propaganda, às vezes somos levados a comprar produtos dos quais nem precisamos. Um estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), divulgado em maio, mostrou que mais da metade (52%) dos brasileiros compra por impulso.

Segundo a economista Adriana Rodopoulos, estudiosa da Psicologia Econômica e da Ciência Comportamental Aplicada, os comerciais de televisão também ajudam na compra por impulso. “Quase sempre há alguma mensagem do tipo: só você ainda não tem. Além disso, pode-se notar um censo de urgência através de frases como: é por tempo ilimitado, vai acabar, ou ainda, é só neste final de semana”, exemplifica.

De acordo com Adriana, quem gasta mais do que ganha não vê o consumo como um custo, mas como um ganho. “Isso porque o consumo emocional faz com que os produtos, os serviços, as viagens e o lazer deixem de ter a característica funcional e passam a ter uma dimensão muito maior e, por isso, fica muito mais difícil de controlar: eles nos preenchem como pessoas e nos ajudam a nos relacionar com o outro”, explica.

Consumo emocional X hiperconsumo

Segundo a economista, o termo “consumo emocional” é utilizado pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky para se referir ao consumo como fator de construção de identidade do ser humano. “O consumo não é só por status, mas também para ajudar na criação de uma imagem”, explica.

Essa identidade ajuda na socialização pelo consumo, ou seja, buscamos nos relacionar com pessoas que tenham o mesmo padrão de consumo que o nosso. “Se há muito tempo os grupos eram unidos pelos gostos, era a cola que unia os grupos, hoje a cola que une os grupos é o padrão de consumo. Preciso mostrar o que eu tenho. Qualquer alteração nesse padrão me exclui automaticamente do grupo”, diz.

Um efeito colateral do consumo emocional é o “hiperconsumo”, também citado pelo filósofo francês. Na prática, é quando aquele produto que te seduziu perde o efeito sobre você. “Exerce um poder de depreciação e o que antes deu prazer começa a provocar dor”, explica Adriana. E a partir daí, você busca se livrar o mais rápido possível, tentando renovar seus produtos. Essa prática pode se tornar um círculo vicioso, o que é muito perigoso.

 

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