Elas sobreviveram às crises econômicas e políticas. Passaram pela hiperinflação dos anos 1980 e pela ditadura militar nas décadas de 60 e 70. Outras vêm de mais longe: resistiram à ditadura de Getúlio Vargas (1882-1954) e ao “crash” de 1929. Algumas vêm debelando bravamente a volatilidade da economia brasileira desde antes da Proclamação da República (1889). 

Algumas das empresas mais antigas do Rio de Janeiro – e do Brasil – sobreviveram a tantos percalços e agora estão ameaçadas de fechar as portas.  

A descoberta foi feita durante as obras de revitalização do centro antigo da cidade. Em meio a casarões velhos e galpões em ruínas, resultado do abandono de mais de 60 anos da área, um conjunto de pequenas empresas comerciais e industriais, algumas centenárias, chamou a atenção dos profissionais que trabalham no projeto.  

E motivou a prefeitura a lançar um programa de parceria entre o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e o Sebrae para apoiar a preservação da história e ajudar na adequação destes negócios tradicionais às mudanças da sociedade e do mercado.  

O trabalho começou em 2012. Ao investigar mais a fundo, a consultora Flavia Guerra Barbieri (foto), do Sebrae, descobriu que a alta dos alugueis – motivo alegado pelos comerciantes para sua difícil situação financeira – é apenas uma das razões.  

A maioria das empresas, comandadas hoje pela terceira geração das famílias dos fundadores, tem dificuldade em manter o negócio por vários motivos, entre eles gestão pouco eficiente, concorrência com produtos similares, populares e de baixa qualidade, elevados impostos e – claro – a supervalorização dos imóveis que atingiu a cidade nos últimos cinco anos, até como reflexo da revitalização. 

Flavia explica que muitas das empresas preservam modos de produção antigos, que podem ser valorizados por suas técnicas artesanais, mas que seus proprietários não enxergam o nicho de mercado que têm nas mãos. 

Em geral esses negócios têm pouca eficiência na gestão, diz Flavia. “Muitos fazem compras de insumos no varejo, não investem em marketing e não têm qualquer controle financeiro, anotando o movimento em cadernetas de papel”, relata a coordenadora do Sebrae. Geralmente não há nenhum investimento em eficiência energética, tampouco em gestão tributária e financeira. Não surpreende que estejam pressionados por custos cada vez mais elevados e margens cada vez menores.

“Tradição pura e simplesmente não basta, tem que ter eficiência”, afirma Flavia. Ela ensina que, por ser pequeno, não ter escala, o comerciante tem que ter identidade porque os custos de aluguel e tributos afetam a todos. Se não valorizar sua diferença, não se destaca, diz a consultora do Sebrae. E exemplifica: “Uma coxinha na Confeitaria Colombo (uma das mais antigas, tradicionais e conhecidas do Rio) custa caro, mas você paga porque é na Colombo, é uma atração”.

Informações e contato aqui.

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