A inédita prisão de um senador no exercício do cargo e de um importante banqueiro, ambos envolvidos na Operação Lava-Jato, já seria motivo suficiente para agitar os mercados financeiros. Mas o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ajudou a piorar o clima.

Não por causa da manutenção da taxa básica Selic em 14,25%, isso já era esperado. O que afetou, principalmente o mercado de renda fixa, foram os votos de dois diretores do Banco Central por um aumento de 0,5 ponto percentual, vencidos pela maioria que votou pela manutenção da taxa.

Os votos contra mostraram que não havia unanimidade e reabriram a possibilidade de uma nova alta dos juros na próxima reunião do Copom em janeiro, o que até então não se acreditava. A reação foi forte, tanto no mercado futuro de juros – que já acumulava quatro altas de meio ponto percentual a partir de janeiro – quanto da bolsa de valores e do dólar, caindo um e subindo outro, como esperado.

Em meio a esse solavanco, o mais importante para quem não é especulador e está guardando dinheiro para seus planos futuros ou para a aposentadoria é ser conservador, manter a calma e principalmente, não perder o foco.

Com taxas de juros tão elevadas, nada mudou: continua sendo muito interessante aplicar em títulos de renda fixa, especialmente papeis do Tesouro Nacional e títulos privados como debêntures, CDB, LCI e LCA de bons emissores.

O mais importante agora é olhar para o prazo de vencimento dos papeis e casar com seus objetivos pessoais.

Quem tem expectativa de sacar os recursos aplicados a curto prazo (meses à frente), deve optar pelos papeis atrelados à Selic, para capturar eventuais elevações. Mas se o foco é longo prazo, os papeis prefixados do Tesouro com vencimentos mais longos – por exemplo o IPCA + com vencimento em 2035, que você compra hoje com menos de R$ 800 – são a melhor opção considerando o risco-retorno.

Há também uma enorme variedade de papeis de renda fixa privados que pagam bons rendimentos com baixo risco, alguns até isentos de impostos como as LCI e LCA.

Porém, papeis prefixados de longo prazo são os que mais oscilam quando há uma alta dos juros. Isso significa que, se sacar antes do prazo, pode perder muito dinheiro.

Portanto, muita calma nessa hora.
 

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