Assim como o papel moeda, o cartão de plástico como o conhecemos hoje também vai se tornar cada vez mais invisível graças à tecnologia de pagamento por aproximação, ou contactless. A indústria de cartões já começou a colher os frutos de um investimento de anos nessa migração. Quando você fala de pagamento por aproximação você pensa ‘será que, se eu encostar o smartphone na maquininha não é mais fácil do que abrir a carteira, pegar o dinheiro e esperar o troco?’. Então, para experimenta não tem volta”, afirma Alessandro Rabelo, diretor de soluções da Visa do Brasil.

“O que a gente percebe no dia a dia é que as pessoas aprenderam muito rápido”, observa Paulo Frossard, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Mastercard Brasil. De janeiro a novembro do ano passado, as transações com cartões Mastercard por aproximação cresceram 800%, de 90 mil e para 815 mil por mês, no Brasil. Segundo ele, a rápida adesão do contactless também se deve ao fato de os estabelecimentos comerciais estarem prontos para a tecnologia. “Diferente de outros momentos da nossa indústria como, por exemplo, quando chegou o chip e tínhamos uma questão de terminais prontos, hoje mais de 90% do parque está pronto para aceitar transações por aproximação e isso vem facilitando a adesão”, compara.

Segurança
Para a oferecer a melhor experiência e atrair outros usuários, a segurança das transações é fundamental. E aí entra uma palavrinha mágica que permite, basicamente, qualquer objeto conectado à internet tornar-se um meio de pagamento de forma segura, a ‘tokenização’. Na Mastercard, por exemplo, o a tecnologia chamada MDES (Mastercard Digital Enablement Service) gera um número alternativo, um token, no lugar dos 16 dígitos do cartão. “Quando você usa uma carteira digital e passa na maquininha, o que circula na rede é um número diferente do número do cartão que se converte somente no ponto final”, explica Frossard.

Débito e Pré-pago
Não é só do cartão de crédito que vive o pagamento por aproximação. O Google Pay, carteira digital para smartphones com o sistema operacional Android – a partir da versão 5.0 (Lollipop) – busca ampliar parcerias para expandir seu uso no Brasil. “Temos adicionado novos emissores, sites e aplicativos para aumentar o alcance do Google Pay no Brasil”, afirma Felipe Cunha, head de parcerias de Google Pay para América Latina, citando uma parceria recente com o Itaú.

Além dos parceiros para a função de crédito, é possível usar o Google Pay com cartões pré-pagos e na função de débito. Esta última opção é oferecida desde novembro de 2017 somente a clientes da Caixa Econômica Federal, por enquanto. Também em 2017, a Visa e o Uber se uniram para incluir o cartão de débito como opção de pagamento no aplicativo. Já a Mastercard aposta em cerca de 20 parceiros para a oferta de cartões pré-pagos para o pagamento por aproximação de olho na população que não é bancarizada.

Pulseira e cartão
Para massificar o pagamento por aproximação no Brasil a indústria está buscando soluções que vão além do celular, já que é necessária uma migração para aparelhos compatíveis com a tecnologia NFC (Near Field Communication) responsável pela evolução das transações sem contato. “Por mais que os fabricantes estejam descendo a compatibilidade para modelos mais acessíveis, o consumidor não fará a troca tão rapidamente”, nota Rabelo, da Visa.

A empresa estreou o pagamento com pulseiras para clientes do Bradesco durante os Jogos Olímpicos de 2016, com um modelo próprio para uso na praia e sem necessidade de senha para pagamentos de até R$ 50. E em dezembro, começou a oferecer uma versão do próprio cartão de plástico compatível com a tecnologia de pagamento por aproximação. A parceria, fechada com a administradora de cartões CREDZ prevê a atualização de 1 milhão de cartões com chip até abril de 2019. “A ideia é dar a opção para quem quer usar o celular, uma pulseira de pagamento ou mesmo o cartão de plástico no dia a dia. A decisão vai ser do consumidor”, conclui o executivo.

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Depois do papel moeda, seu cartão também está ficando invisível
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