Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie no filme “O escândalo”

Na semana passada, o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein foi condenado por abuso sexual e estupro, mas acabou inocentado da acusação mais grave, de comportamento sexual predatório. Estopim do movimento #MeToo, que colecionou relatos de mulheres que sofreram assédio, ele receberá a sentença no dia 11 de março e a pena pode variar de 5 a 25 anos. Desde a primeira coluna que escrevi sobre o assunto, em 2017, alguns passos importantes foram dados, mas esse é apenas o começo do caminho.

O filme “O escândalo” não levou nenhum Oscar, mas escarafuncha o problema com uma história real: o comportamento abusivo do poderoso ex-presidente da Fox News, Roger Ailes. Em 2016, um ano antes do #MeToo, ele foi denunciado por várias funcionárias por atacá-las sexualmente. A série “The morning show”, aposta da Apple para o streaming, navega nas mesmas águas: as apresentadoras Alex Levy (Jennifer Aniston) e Bradley Jackson (Reese Witherspoon) desmascaram o sistema permissivo e misógino de uma emissora de TV que permitiu os avanços de seu principal âncora, Mitch Kessler (Steve Carell), durante anos.

A indústria do entretenimento já entendeu que precisa dar voz às mulheres, embora elas ainda estejam longe de ocupar os cargos de decisão dos estúdios. No entanto, outros bons sinais de mudança ocupam o noticiário. Talvez o mais emblemático deles esteja ocorrendo na antes cultuada Victoria´s Secret, que, em 2019, cancelou o desfile de lingerie que fazia anualmente. Acusada de mostrar um padrão de beleza inatingível e ignorar a diversidade, a reputação da marca sofreu um abalo enorme por causa da amizade de seu principal executivo, Leslie H. Wexner, com Jeffrey Epstein, que se suicidou na prisão quando aguardava julgamento por tráfico sexual e pedofilia. Em tempo: Wexner vai deixar a companhia.

O importante é que cada vitória conquistada garanta que mais mulheres se sintam encorajadas a denunciar os abusos. Para quem enfrenta algum tipo de assédio, faço um resumo da “cartilha” que o jornal “The New York Times” divulgou e que traz bons conselhos.

  • Documente tudo o que puder: guarde e-mails, publicações em redes sociais, faça anotações que a auxiliem depois, como os detalhes do que aconteceu, se havia testemunhas e assim por diante.
  • Compartilhe o que está acontecendo com amigos, familiares ou colegas de trabalho. Registre esses relatos, que também poderão ser usados mais tarde, e crie uma rede de solidariedade.
  • Guarde todas as informações de que dispuser sobre seu desempenho no trabalho: avaliações, elogios etc. Elas serão úteis caso você passe a ser perseguida (ou colocada na geladeira).
  • Todo esse material deve ser armazenado fora do ambiente onde está ocorrendo o assédio, para que você não corra o risco de perder as provas que coletou.
  • Procure o setor de compliance da empresa, se ele existir, e registre sua queixa. Ou fale com alguém da área de recursos humanos, de forma que a companhia não possa alegar que não sabia de nada.
  • Diga claramente ao assediador que o comportamento dele tem que parar.
  • Consulte um advogado ou torne pública sua denúncia.
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