O mercado de criptomoedas conquistou um apoio importante no Brasil esta semana com a divulgação de um ofício pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que autoriza fundos de investimento brasileiros a investir indiretamente em criptoativos. O órgão ressalta que cabe aos gestores e auditores conduzir determinadas diligências na aquisição e manutenção desses ativos em carteira, segundo ofício divulgado nesta quarta-feira pelo órgão regulador.

Pela instrução nº 555, a CVM “autoriza o investimento indireto em criptoativos por meio, por exemplo, da aquisição de cotas de fundos e derivativos, entre outros ativos negociados em terceiras jurisdições, desde que admitidos e regulamentados naqueles mercados”.

Vale notar que os fundos brasileiros não estão autorizados a comprar moedas virtuais para compor suas carteiras, mas a investir em outros fundos no exterior que tenham estes ativos em sua composição, desde que sejam regulamentados em seu país.

Segundo uma notícia da agência Reuters, a recomendação da autarquia é de os investimentos sejam feitos por meio de plataformas de negociação (exchanges) submetidas à supervisão de órgãos reguladores. A ideia aqui é coibir práticas ilegais como lavagem de dinheiro.

Na avaliação de Fernando Furlan, presidente da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB), o movimento da CVM ajuda a criar um produto que enriquece o portifólio de investimentos no Brasil. “É um passo positivo para o mercado, embora ainda um pouco tímido”. Ele observa que os investimentos serão feitos por meio de fundos que são regulados pela CVM, portanto têm várias responsabilidades e compromissos.

A recomendação para quem se interessar por esses fundos é acompanhar de perto a movimentação do mercado, considerando que o Bitcoin e outras criptomoedas são ativos voláteis. “É um investimento que exige atenção e acompanhamento porque envolve risco, mas o mercado acionário também”, nota Furlan.

Como estes fundos poderão investir em outros fundos no exterior é importante observar se os investimentos em criptomoedas são lícitos no país de origem. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado de criptomoedas não é regulado, mas é lícito compor fundos de investimentos ou derivativos atrelados a criptomoedas.

E será que os bancos também vão se interessar por essa nova modalidade? Furlan acredita que sim. “No mercado financeiro, quando há um novo fundo de investimento, os grandes bancos têm a obrigação de colocar em seu portfólio. Seria contraproducente, do ponto de vista financeiro, não levar em consideração esses produtos novos”, comenta.

A associação não está muito contente com a postura dos bancos diante das criptomoedas. Por conta de uma denúncia da ABCB, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu esta semana, um inquérito administrativo contra seis bancos para investigar se eles estariam prejudicando o acesso das corretoras ao sistema bancário.

Para Furlan, a decisão da CVM mostra que, “pouco a pouco o Brasil vai reconhecendo o potencial do setor de criptomoedas”.

Acompanhe os podcasts semanais sobre criptomoedas, finanças e tecnologia da coluna iBolso. Compartilhe seu comentário ou sua dúvida no post ou escreva para ibolso@letraselucros.com.br e confira outras dicas aqui no letraselucros.com .

CONTINUAR LENDO

CVM libera investimento indireto em criptomoedas
Baixar podcast 1 0