Com o uso da tecnologia para refinar a avaliação do cliente, serviço 100% online e operações mais enxutas, o Brasil tem hoje cerca de 100 fintechs de crédito que abrem espaço com taxas e condições mais atrativas em relação ao mercado tradicional.

“O cidadão sempre pagou mais caro do que deveria por serviços de empréstimo financeiro”, afirma Rafael Pereira, presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD). Segundo ele, o brasileiro sempre viu o crédito de uma forma negativa – “ele não usa o crédito, ele toma um empréstimo” – mas as fintechs têm ajudado a tornar a visão do processo “mais saudável”.

Confira, então, as dicas de quem atua neste mercado para te ajudar a saber a hora certa de tomar crédito e o que observar na escolha do serviço.

Tenha cautela na troca de divida
Otavio Machado, coordenador de crédito da Creditas, fintech que trabalha no modelo de empréstimo pessoal com garantia de veículo ou imóvel, nota que entre os clientes que buscam crédito atrelado ao veículo como garantia 43% buscam trocar dívidas, 17% querem investir no próprio negócio, 12% querem reformar a casa, 10% adquirir um bem e 16% tem outros motivos. Neste sentido, segundo ele, ainda há um caminho de conscientização a percorrer. “A ideia, com a educação financeira, é que as pessoas peguem menos empréstimo para trocar de dívida e mais para outros objetivos”, afirma o executivo.

Tatiana Floh, COO responsável pelas operações da Geru, plataforma de empréstimo pessoal 100% online, afirma que a prática pode ser uma boa saída para quem está no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito, por exemplo. Nesse cenário, caso o consumidor tenha outras opções de linhas de crédito mais baratas, vale a pena quitar as dívidas altas e contratar uma mais em conta”, afirma.

Ela alerta, entretanto, que não é recomendável tomar um crédito mais caro para pagar outro já em atraso. “É preciso fazer um balanço da renda familiar disponível e entender os gastos e compromissos financeiros antes de contratar um novo crédito que agrave ainda mais o endividamento”, aconselha.

Empréstimo para empreender é um bom negócio
Investir no próprio negócio, na reforma da casa ou realizar sonhos como uma viagem ou uma festa de casamento, são bons motivos para buscar crédito, segundo os especialistas.

Otavio conta um caso recente do primeiro empréstimo feio pela Creditas como Sociedade de Crédito direto – modalidade criada no ano passado pelo Banco Central que torna as fintechs independentes de outras instituições para a oferta de crédito. “A gente já originou o primeiro credito através da SCD a um artesão de Pernambuco que fez um empréstimo para comprar uma máquina para produzir caixas em MDF. Antes ele comprava caixas prontas e agora conseguirá economizar 50% com a produção própria”, conta o executivo.

Por outro lado, segundo o especialista, não é recomendável que o empreendedor peça um empréstimo se o pagamento das parcelas depender de um sucesso do empreendimento. “Se o negócio der errado, ele não vai conseguir pagar as parcelas”, alerta Otavio. Um exemplo positivo, segundo ele, seria o proprietário de uma franquia que está dando lucro pedir um empréstimo para abrir uma segunda franquia. “Com o lucro ele consegue pagar o empréstimo sem depender do resultado da nova franquia”, explica.

Evite fazer um empréstimo para pagar as contas
Buscar crédito para cobrir os gastos com alimentação, contas de luz, água, aluguel etc. é um cenário não recomendado pelas fintechs de crédito. “Há um risco da pessoa pegar empréstimo e entrar em uma bola de neve sem conseguir pagar”, afirma Otavio.

Fique de olho nas taxas e tire dúvidas
Além de ler todo o contrato com calma antes de assiná-lo, a Tatiana, da Geru, aconselha que o consumidor veja quais são as taxas de juros do contrato e a sua diferença em relação ao CET (custo efetivo total) que inclui todas as taxas, tarifas e o IOF aplicáveis à operação de crédito. Outros pontos significativos, segundo ela, são pesquisar a reputação da empresa nas redes sociais e saber como funcionam os casos em que as parcelas ficam em atraso.

“É importante ver o valor líquido do empréstimo, ou seja, quanto recebe na conta e quando vai pagar por mês”, aconselha Rafael da ABCD. Segundo ele, também é importante comparar a oferta com a de outros serviços no mercado.

Em operações com garantia, Otavio, da Creditas, lembra que é importante conferir os dados cadastrais do cliente e do bem colocado em garantia de empréstimo. “Se for um carro, por exemplo, checar se o valor do carro e se os dados da placa estão corretos”, sinaliza. Outra dica é observar o prazo de vencimento das parcelas porque há operações com carência e outras sem”, destaca.

Seja um bom pagador
O pior empréstimo é aquele que você não consegue pagar. Por isso, planejar o pagamento é fundamental. “Primeiro a pessoa tem que olhar para dentro e checar como esta se organizando para pagar isso. O que vemos é uma série de pessoas que pegam um valor que jamais teriam condição de pagar”, afirma Rafael, da ABCD.

Ele lembra que o seu comportamento financeiro está diretamente ligado ao tipo de oferta de crédito que você consegue acessar. “É importante que os consumidores tratem o ranking financeiro como um ativo. Se você é um bom pagador pode ter baixar taxas. É muito importante tentar se planejar para isso”, reflete.

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