Pandemia expõe relações trabalhistas precárias e vai demandar sensibilidade das áreas de recursos humanos / Tumisu por Pixabay

A pandemia do novo coronavírus vai marcar a humanidade de uma forma como há muito tempo não se via. Talvez apenas os ataques de 11 de setembro de 2001 tenham magnitude semelhante. Para os profissionais de saúde, trata-se de uma experiência equivalente a estar no front, numa guerra na qual certamente haverá sequelas emocionais, dado o estresse da situação.

Para quem tem uma atividade de menor risco, o conselho óbvio mas que nem sempre é seguido à risca: se se sentir indisposto, não vá trabalhar. O problema é quando isso acontece com quem vive de diária, como tantos empregados domésticos que fazem faxina; ou com aqueles cujos contratos de trabalho são típicos da “gig economy”, ou seja, cuja remuneração está atrelada à execução de determinadas tarefas. Nesse segmento que cresce a cada dia, temos entregadores de comida, motoristas autônomos, freelancers de todo tipo. Gente que ficará no vermelho no fim do mês.

Para refrescar a memória com alguns números: o Brasil fechou 2019 com mais de 12 milhões de pessoas desocupadas e 38 milhões de trabalhadores informais. Esse quadro de precariedade é uma variável que pode ampliar a disseminação do vírus e traz desafios para a sociedade: com quem deixar os filhos com as escolas fechadas? Como proteger idosos se os cuidadores adoecerem? Portanto, se sua empresa tem como fazer com que os funcionários trabalhem de casa, considere-se um felizardo.

Há dificuldades até para quem está em home office: como garantir  produtividade no ambiente doméstico? Os consultores de recursos humanos sugerem algumas dicas. A primeira é arrumar-se para o serviço, mesmo que o expediente vá acontecer no seu quarto. Portanto, tire o pijama, tome uma chuveirada e esteja apresentável para eliminar o resto de preguiça matinal. Crie seu território corporativo em casa, ainda que você não disponha de um cômodo para isso. Pode ser um canto da sala, mas sem que a TV esteja ligada em canais infantis; ou uma mesinha no quarto onde possa apoiar seu laptop. Procure reproduzir a rotina da empresa: o número de horas, a parada para almoço, as pausas para um cafezinho. Assim é mais fácil não se distrair, nem perder a concentração. Trocar informações com o resto da equipe também ajuda a manter o foco.

Para todos, é bom ter em mente que hábitos às vezes arraigados terão que ser revistos. Se tiver que usar o transporte público, dê preferência aos horários menos concorridos e fique distante das pessoas no mínimo cerca de um metro. Lembre-se que o contato com amigos e parentes – mesmo que virtual ou por telefone – é importante. Ansiedade e estresse afetam o sistema imunológico. Nesses meses de pandemia, as áreas de recursos humanos terão que ter muita sensibilidade para lidar com tantos medos, dúvidas e emoções.

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