Numa de suas últimas edições, a revista britânica “The Economist” usou a frase de um roqueiro para definir o novo padrão do mundo corporativo, de espaços amplos e sem divisórias nos quais todos trabalham juntos: “solidão é um lugar cheio de gente”. Com certeza, não é esse o discurso das empresas que promovem a mudança de layout da organização. O objetivo deveria ser favorecer o contato e a colaboração entre as pessoas. No entanto, um estudo da Harvard Business School demonstrou que o resultado é o oposto.

Ethan Bernstein e Stephen Turban pesquisaram o número de interações entre colegas de duas multinacionais que haviam adotado esse modelo de concentrar os funcionários numa grande área. Os empregados usaram crachás com sensores infravermelhos que detectavam a aproximação de alguém e, além disso, microfones para determinar quando estavam ouvindo ou respondendo. Na primeira, os pesquisadores mapearam que, na disposição anterior do escritório, havia o triplo de interações; em compensação, o número de e-mails enviados tinha crescido 56%, ou seja, as pessoas preferiam se comunicar por mensagens! Na segunda companhia, as interações entre os indivíduos também tinham caído em dois terços e, o volume de e-mails, crescido entre 22% e 55%.

De acordo com Bernstein e Turban, provavelmente essa era a forma de os colaboradores manterem a privacidade. Sem a “proteção” das antigas baias, a maioria se valia de fones de ouvido, e o motivo alegado era o de garantir a concentração. Quem bolou a novidade talvez não tenha pensado nesse efeito colateral do convite à dispersão, somado a outro: o maior número de e-mails tinha impacto negativo na produtividade.

A possibilidade de dar um toque pessoal à área de trabalho, como ter fotos de filhos ou vasos de plantas, está praticamente descartada. Isso porque há uma nova onda a caminho, chamada de “hot desking”: ninguém terá lugar cativo e todo dia será preciso procurar um lugar para chamar de seu. No final das contas, parece que caminhamos para o oposto da colaboração e a ideia de uma atmosfera acolhedora e relaxante vai ficando cada vez mais distante. Apesar da pregação corporativa sobre as vantagens do espaço aberto, a principal diz respeito ao custo e favorece as empresas: sai muito mais barato pôr todos num só lugar. Segundo a revista “Fast Company”, nos últimos sete anos a área ocupada por cada funcionário diminuiu 33%. Trabalhar em casa vai ganhando pontos…

 

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