Mesmo os ambientes de trabalho corporativo são povoados por ruídos, muitos dos quais – eu diria que a maioria – não ajudam em nada quem está tentando realizar suas tarefas. É por isso que cientistas estão usando os conceitos de física para entender como conversas, música ou outros sons afetam os indivíduos numa variedade de situações.

Takeshi Akita, pesquisador da Tokyo Denki University, estuda o que chama de “soundscape”, o equivalente a “paisagem sonora”, isto é, o conjunto de sons que fazem parte de um ambiente. Mapeia características como o tipo de ruído, seu volume e direção. Alguns podem ser estimulantes, enquanto outros equivalem a sessões de tortura. A Sociedade Americana de Acústica (Acoustical Society of America), que mantém uma revista científica, consagrou 2020 como o Ano Internacional do Som para dar mais visibilidade à importância do tema.

Seu grupo de estudo realiza experiências para determinar como os trabalhadores são impactados por barulhos que não percebem. A pesquisa testou três tipos: de conversas, música e alguns associados a máquinas em operação. As pessoas eram submetidas a ruídos entre 50 e 60 decibéis, que vinham de quatro direções diferentes. Acima do patamar de 85, eles podem provocar danos à audição.

Sobre o resultado: quando o som de conversas estava em torno de 50 decibéis e partia dos fundos, ou seja, estava atrás dos participantes, não os incomodava. No entanto quando se tratava de música, vindo da direita ou da esquerda, e já com 60 decibéis, o desconforto era evidente e se comparava ao barulho de equipamentos ligados. Conclusão: para Akita, a paisagem sonora deve ser levada em conta pelas empresas para garantir a qualidade de vida de seus funcionários. A posição de mesas de reunião e até de uma máquina de café pode influenciar o resultado final, e sabemos como um ambiente barulhento pode ter reflexos negativos na produtividade – principalmente porque, pelo visto, não basta pedir que todos falem em voz baixa.

 

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