A tragédia que ceifou dezenas de vidas no dia 29 de novembro, no fatídico voo que levava a equipe da Chapecoense e jornalistas para Medellín, representa também uma enorme perda de capital humano. Além da dor das famílias e dos amigos, há também a questão do luto nas empresas, um tema que é pouco abordado. Para tratar de um assunto tão delicado, pedi ajuda à consultora Monica Almeida, diretora-executiva da MCA Consultoria e Gestão em RH, com 30 anos de experiência em mundo corporativo.

 
Quando um colaborador da empresa morre, a área de recursos humanos deve lidar com o luto da família e dos colegas de trabalho. Começando pelos familiares, que estão numa situação de maior fragilidade, quais são as práticas mais adequadas para dar apoio nessa hora de dor?
 
Monica Almeida – Realmente essa é uma situação bastante delicada. Muitas vezes os familiares ficam desnorteados, sem saber o que fazer ou a quem recorrer. Normalmente, as áreas de RH entram em contato com a família não só para prestar solidariedade, como também para ajudar no que for preciso. As empresas têm seguro de vida que, muitas vezes, vem com auxílio funeral incluído, mas os familiares desconhecem. Os RHs costumam ter parceiros que auxiliam nesse momento, cuidando de toda a parte burocrática.
 
 
E no caso dos demais colaboradores: como dar espaço para o luto e ainda conseguir motivar os funcionários a trabalhar, mesmo depois do impacto da perda?
 
Monica Almeida – O luto dos colegas é real e não pode ser ignorado, ao contrário. A empresa pode ajudar, e muito, nesse momento de consternação geral. Existem profissionais especializados nessas situações de crise, que dão atendimento psicológico, com sessões em grupo e até mesmo individuais, que ajudam os colaboradores a lidar com a perda e fortalecer o vínculo entre eles. Esse apoio emocional é fundamental para que as pessoas consigam seguir em frente, sem perder de vista seus objetivos. A participação do RH é fundamental nesse processo, acolhendo, direcionando os trabalhos e tentando manter a motivação.
 
 
As empresas normalmente estão preparadas para enfrentar a perda de um colaborador, ou seja, há um roteiro de providências a serem tomadas que é posto em prática assim que a morte é confirmada?
 
Monica Almeida – A perda de um colaborador é sempre um momento difícil. Normalmente, as empresas mais estruturadas têm um plano de ação já definido, facilitando o processo, uma vez que todos estão emocionalmente abalados, minimizando o risco de se "esquecer" alguma etapa importante.
 
 
É comum que a sensação de luto e apatia dos funcionários se estenda por um período longo?
 
Monica Almeida – A apatia e o luto dos funcionários por períodos prolongados pode acontecer, sim, mas os gestores diretos dessas equipes, bem como o RH, têm que ficar atentos, pois isso não pode paralisar uma área, nem a empresa.
 
 
 
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