Essa é a pior dívida que você pode ter. Os juros do cheque especial – assim como os do cartão de crédito – passam dos 300% ao ano. Então não caia nessa armadilha de confundir esse limite extra que o banco oferece com a sua renda. “Vamos supor que o meu salário líquido seja de 7 mil reais e o meu limite de crédito, 3 mil reais. Se eu não sou um usuário disciplinado, eu vou acreditar numa mentira: que a minha renda mensal é de 10 mil reais”, explica Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. E se você acreditar nisso vai acabar se enrolando – e muito – com as contas.  “Só vou perceber o impacto dessa decisão quando eu olhar o saldo devedor e perceber que o meu salário pode não pagar nem o saldo devedor. Aí realmente a pessoa resolve se mexer, mas, muitas vezes, é tarde demais”, afirma Clemens de Azevedo Nunes, professor da Escola de Economia da FGV.

É pra evitar esse tipo de situação que as regras do cheque especial mudaram. Agora, quando você tirar um extrato no banco, o saldo da conta vai aparecer separado do limite do cheque especial, justamente pra que você não confunda uma coisa com a outra.

E tem mais: os bancos vão entrar em contato com o cliente que usar – por trinta dias seguidos – mais de 15% do limite disponível do cheque especial. Nesse caso, as instituições vão oferecer alternativas mais baratas para que o cliente pague o que deve. “A intenção do Banco Central é forçar o gerente a chamar o cliente e falar: ‘olha, você fica constantemente no cheque especial. Se o seu problema é acertar o seu fluxo de caixa, vamos analisar outras opções, como um empréstimo consignado, por exemplo, que tem taxas são bem menores’. O cheque especial não tem nada de especial. Ele deveria se chamar limite para emergências porque é isso que ele é”, afirma Rocha.

Cabe ao cliente aceitar ou não a proposta do banco. Se ele não aceitar e continuar devendo no cheque especial, um novo contato será feito depois de mais 30 dias.

As instituições também vão ter que avisar o cliente quando ele ficar negativo na conta. No alerta, os bancos têm que deixar claro que esse crédito deve ser utilizado apenas em situações de emergência. “Essa é uma linha pré-aprovada, sem burocracia, eu posso ir lá e sacar diretamente da minha conta. Porém preciso saber que é uma solução de curtíssimo prazo. Eu tenho que levantar recursos pra cobrir isso o mais rapidamente possível, seja com uma linha de crédito de médio ou longo prazo, seja vendendo algum bem pra poder pagar”, orienta Nunes.

Resumão do Letras & Lucros pra você fugir de juros abusivos

Se você está devendo no cheque especial ou no cartão de crédito, precisa ver um jeito de reverter isso. Se não conseguir pagar a dívida, vá atrás de um financiamento com juros menores, como o empréstimo consignado.

Agora, o que você não pode fazer é trocar essa dívida por outra mais em conta e depois, no mês seguinte, cair de novo no cheque especial. O professor Ricardo Rocha é taxativo: “Se o cliente não se educar, ele vai abrir um novo crédito e vai continuar no cheque especial. Essa é uma armadilha que tem que fugir. É preciso cortar esse elo, essa necessidade de consumo através do cheque especial”. Então grava isso: cheque especial é apenas para emergências! E por pouquíssimo tempo!

 

 

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