Eles acontecem na vida de qualquer um. Não há como se blindar e passar ao largo deles, portanto o melhor é criar um manual de sobrevivência na selva – quer dizer, no mundo corporativo – para evitar que essa criatura a quem você está subordinado não transforme sua existência num muro de lamentações. E não pense que está sozinho nessa canoa furada. De acordo com uma pesquisa realizada com mais de sete mil pessoas nos EUA, 50% haviam deixado o emprego para se livrar do superior insuportável. Em outro levantamento, com dois mil trabalhadores, 80% declaravam já terem tido a experiência de lidar com um chefe ruim.

A consultora e palestrante Dana Brownlee acabou de lançar o livro “The unwritten rules of managing up” (o equivalente a “As regras não escritas para lidar e se relacionar bem com seu superior”). A obra foi fruto de uma pergunta recorrente que ouvia nos treinamentos que dá para executivos: “como eu lido com um chefe ruim?”. Manage up é exatamente a habilidade de se adaptar ao estilo dessa liderança imperfeita que lhe coube e otimizar as relações de trabalho.

No livro, a autora lista alguns tipos mais comuns que costumam enlouquecer os subordinados. Um deles é o que ela batizou de “tornado”, que lembra um touro em loja de louças: costuma intimidar as pessoas, mas normalmente também gosta de solucionar problemas. Por isso, a maneira de lidar com esse gênero é trabalhar para o sucesso do projeto. Na medida do possível, tente transformá-lo em coach: antecipe o que está fazendo em breves apresentações e assim terá as indicações de correções a serem realizadas para tudo ficar do jeito que ele gosta.

O “camaleão sem noção” é o chefe que muda de ideia o tempo todo, que não sabe o que quer. Esse é difícil, Dana reconhece, por isso ela sugere que tudo seja documentado. Escreva um e-mail com as orientações que recebeu dizendo que gostaria de confirmar se entendeu direitinho o que deve ser feito. O “manage up” com o “camaleão” inclui pedir a ele que complete uma frase do tipo: “esse projeto será um sucesso se…”. Assim você vai mapeando o caminho a ser seguido.

Um terceiro tipo bastante comum é o ansioso “microgerente”, que mal acabou de encomendar uma tarefa e já pede retorno, além de querer saber de todos os detalhes. A autora ensina que é importante alimentar essa necessidade de microgerenciamento, apresentando roteiros detalhados com o status do que está sendo realizado. Em todos os casos, ela enfatiza, não se trata de puxar o saco ou anular a própria personalidade, e sim tornar a vida mais fácil. Algumas outras dicas que podem funcionar:

  • Antecipe-se aos problemas, o que vai aumentar a confiança no seu trabalho.
  • Entenda o estilo de comunicação do seu chefe e se adapte a ele.
  • Fique disponível para assumir projetos espinhosos, que ninguém quer, mas que podem abrir portas para você.
  • Tenha sempre outras alternativas para oferecer caso a primeira opção não funcione.
  • Use o pronome “nós” para deixar claro que você está 100% empenhado para que as coisas funcionem.

 

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