O Dia das Crianças está aí e você que tem filhos, netos, sobrinhos ou afilhados já pensou em fazer um investimento no futuro dos pequenos? Pois hoje há alternativas interessantes além da clássica poupança.

Em seu primeiro Dia das Crianças, a pequena Olivia, de um ano, já possui uma conta em um banco digital e em uma corretora. “Eu e a mãe dela já investimos há um tempinho e a gente sabe o quanto é importante o fato de ela poder ter uma liberdade maior”, explica o pai Leandro Salles, que é engenheiro mecânico e aplica 5% da renda mensal no futuro da filha. “Assim ela já vai ter um pouquinho para fazer uma faculdade ou se ela tiver outro plano de ser empreendedora, por exemplo, para ter um ponto de partida”, ele afirma.

A carteira da pequena Olivia é diversificada. “A gente tem investimento de renda fixa e renda variável em algumas empresas nas quais a gente acredita”, detalha o pai. Ele conta que a escolha pelo banco digital foi pensada pela ausência de tarifa e pela comodidade – e somente com a conta bancária seria possível abrir a conta na corretora em nome dela.

Além da maior conscientização com o futuro financeiro dos filhos, histórias como a do Leandro mostram que os pais estão buscando alternativas à clássica poupança quanto o assunto é criar uma reserva para as crianças.

“Antes se abria uma poupança porque o mercado financeiro era muito simples e o retorno da poupança era bom. Só que hoje a gente tem alternativas mais vantajosas”, lembra Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em Economia do Insper. Ela cita como exemplo investimentos em títulos atrelados ao IPCA.

Ela ressalta que é importante procurar manter o objetivo do investimento e não buscar o fundo para outras finalidades e recomenda manter sempre um fundo emergencial, independente da poupança dos filhos, equivalente a seis vezes a renda mensal da família.

E quanto dinheiro é legal guardar? No caso de uma reserva pensando na futura faculdade, Juliana recomenda calcular o valor total para cursar uma boa faculdade e dividir pelo tempo que teria para guardar, considerando que vai haver um pouco de inflação.

A dica do pai da Olivia é começar o quanto antes, mesmo que seja com pouco dinheiro. “Escuto muita gente falando que é besteira porque tem pouco dinheiro para aplicar. Mas o pouco, ao longo dos anos, se torna bastante. Daqui 20 anos ela vai ter uma boa grana na mão e se, de repente, a gente não tiver condição ela vai ter uma faculdade paga pelo menos”, afirma Leandro.

O tempo maior para alcançar o objetivo para o futuro das crianças também favorece os planejamento.Daniel Jannuzzi, planejador financeiro e especialista de investimentos da gestora digital Magnetis recomenda ajustar a carteira ao longo do tempo, de acordo com a idade das crianças e adolescentes – de zero a dez anos, de 10 a 15 e de 15 a 18 anos. “A carteira começa superarrojada porque você tem um prazo para isso e, conforme o tempo vai passando, vai entrando em um perfil menos arrojado, depois moderado até chegar a uma carteira mais tranquila”, ele afirma.

“A ideia é fazer o bolo crescer no início e conforme ele cresce a gente começa a mirar uma alocação mais conservadora”, explica o especialista da empresa. Para quem começou mais tarde, como o prazo é menor até os 18 anos dos filhos, o Daniel recomenda uma carteira mais conservadora.

Mas não basta aplicar. É preciso educar. “Muitos pais abrem uma caderneta de poupança e vão depositando dinheiro lá, mas o filho não acompanha. E aí, no futuro, o pai vai entregar o dinheiro e acabou. Só que a criança não vai aprender a poupar, investir, a estudar sobre investimentos. É importante que ela entenda sobre cada investimento”, explica Marcos Meier, professor e especialista em educação financeira para pais e filhos.

O especialista que é co-autor do curso “Filhos ricos e felizes” recomenda a abertura de uma conta em uma corretora de valores em nome da criança e que ela participe da administração da conta ao lado do pai ou responsável. “Vamos supor que o pai dê ao filho 100 reais por mês. Ele pode explicar ao filho que, dos 100 reais, vai colocar 50 reais em Tesouro Direto e que lá no futuro ele vai poder resgatar e utilizar para comprar sua casa, começar um negócio, fazer uma faculdade… então o filho sabe que parte desse dinheiro vai render mais do que a poupança e vai ficar lá para o futuro”, detalha Meier.

Ele aconselha que os pais envolvam as crianças nas escolhas de ações para investir, por exemplo. “Essa negociação com o filho é muito importante para que ele entenda que investimento é coisa séria”, afirma. “A gente não sabe o que vai ser necessário lá na frente, mas com certeza essa criança vai aprender que não dá para gastar à toa”.

Daniel, da Magnetis, concorda que o planejamento financeiro é algo que vai ser passado para os filhos, sobrinhos e netos também. Ele conta que deu um presente em dinheiro para a sobrinha de um ano e meio e que os pais optaram por fazer um investimento.

E se você está procurando uma dica de presente engajada no tema para o Dia das Crianças, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez uma lista de jogos de tabuleiro e livros infantis que ajudam na educação financeira de crianças e adolescentes.

Juliana, do Insper, comenta que tanto os jogos como iniciativas de startups e aplicativos online ajudam a formar crianças mais conscientes que sabem com o que podem gastar e com o que não podem. “Não é só uma forma de explicar poupança, juros e investimentos mas também que o desperdício é ruim”, observa.

Leandro também acredita que o investimento é uma ferramenta de conscientização financeira. “À medida que os anos forem passando a gente vai tentar ensinar para ela o valor do dinheiro”, ele diz.

O pais ainda não sabem o que a Olivia vai querer ser quando crescer, mas querem garantir que ela seja independente para escolher o que quiser, sem amarras por conta do dinheiro. “Não quero que ela trabalhe com nada que ela não queira fazer da vida”, conclui o pai.

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