Após um longo período em baixa, o Bitcoin parece ter retomado o fôlego e chegou a ser cotado em 8 mil dólares na última semana. Esse foi seu melhor valor em 2019, até agora, e o mesmo patamar praticado no fim de abril do ano passado. Para quem viu a criptomoeda cair para um patamar de USD 3 mil, o movimento de alta pode representar um futuro promissor ou então a hora de retirar o time de campo.

Claro que tudo depende do quanto e de quando a pessoa investiu na criptomoeda – se foi na alta histórica dos 20 mil dólares, no fim de 2017 ou na baixa que se prolongou até o começo do mês – e do perfil do investidor – mais ou menos disposto a assumir riscos.

Na opinião do Vinícius Maeda, diretor de relações com investidores da Magnetis, o fator emocional conta bastante na decisão do investidor, especialmente se é pessoa física. “O ser humano nem sempre age a todo momento de maneira racional. Um dos momentos que impactam as pessoas é a ancoragem, ou seja, achar que o ativo pode voltar a um patamar como o de USD 16 mil dólares, por exemplo”, observa o especialista da consultoria de investimentos. Outro aspecto, segundo ele, seria a aversão à perda. “A pessoa fica sugestionada a não querer realizar aquela perda e a gente sabe que isso impacta bastante o investidor”, afirma.

Motivos para a alta do Bitcoin
Mas afinal, o que colaborou para a recuperação do Bitcoin? A Natalia Garcia, diretora de riscos da corretora de criptomoedas FoxBit levanta três possibilidades mais prováveis. A primeira foi a quinta edição do Consensus, um dos maiores eventos da criptoeconomia, que foi realizado na última semana em Nova York. “Em 2017 e 2018 a gente observou uma alta no valor do Bitcoin nesse mesmo período, mas este ano vimos que há uma série de empresas desenvolvendo projetos em torno da tecnologia blockchain e parcerias para ampliar a aceitação do Bitcoin como meio de pagamento”, ela comenta. Uma das alianças anunciadas no evento ocorreu entre a corretora Gemini e a empresa de pagamentos Flexa. A ideia é popularizar a aceitação de Bitcoins e outras moedas digitais como meios de pagamento em grandes redes como Starbucks, Whole Foods, Barnes & Noble entre outras.

Outra motivação da alta é a divisão dos bitcoins liberados aos mineradores pela metade, que ocorre a cada quatro anos. Em maio de 2020 quem conseguir liberar um novo bloco de bitcoins receberá 6,25 Bitcoins – metade dos 12,5 atuais. “A tendência é que o preço seja elevado para compensar o investimento de quem minera Bitcoin”, comenta Natalia.

O terceiro motivador para a elevação do valor do Bitcoin, segundo a especialista, é o conflito entre Estados Unidos e China. “Como o Bitcoin é minerado, em sua maioria, na China o investidor chinês com perfil mais tradicional se viu diante da crise política e econômica com os Estados Unidos e decidiu investir em criptoativos porque há uma proteção contra a economia global, já que é um livre mercado”, ela observa.

Observando os clientes da FoxBit, Natalia nota que a alta do Bitcoin gerou um movimento mais forte de compra. “Por incrível que pareça a demanda de compra aumenta quando o valor sobe embora a gente saiba que o ideal é comprar na baixa”.

Diversificação
Se a decisão for ampliar a carteira de moedas digitais neste momento ou ingressar nesse mercado, os especialistas são unânimes em aconselhar que o investidor tenha cautela e diversifique.

“A diversificação tem um papel relevante não só com criptomoedas mas em relação a outros ativos”, comenta Maeda, da Magnetis. “No caso da criptomoeda se a pessoa acabou colocando uma parcela muito significativa do patrimônio nesse ativo, nossa sugestão é vender uma parte e construir uma carteira com diferentes características. Agora se é uma parcela pequena do patrimônio talvez valha a pena manter pelo aprendizado”, aconselha.

A especialista em riscos da FoxBit complementa que a recomendação é colocar, no máximo, até 5% do portfólio em criptomoedas. “É sempre muito importante frisar que é investimento de alto risco. O investidor tem que verificar se não é um dinheiro do qual ele dependa em um curto prazo ou para pagar suas contas, por exemplo”, conclui.

Continue acompanhando as dicas aqui da coluna iBolso sobre como a tecnologia pode ajudar em suas finanças pessoais e confira as notícias do http://letraselucros.com . Compartilhe sua pergunta, comentário, ou sugestão aqui no site ou pelo e-mail [email protected] .

CONTINUAR LENDO

Bitcoin em alta: hora de vender, comprar ou entrar no mercado de criptomoedas?
Baixar podcast 1 0