Esta semana o Bitcoin surpreendeu positivamente o mercado ultrapassando a marca dos 13 mil dólares, seu maior valor desde janeiro de 2018. Entre os possíveis motivos da alta, especialistas citam o anúncio da Libra, a moeda digital do Facebook, a aproximação do chamado ‘halving’ do Bitcoin – divisão dos blocos de Bitcoins que são liberados aos mineradores – e o interesse crescente de investidores institucionais na criptoeconomia.

Embora muita gente tenha voltado a sorrir para sua carteira digital ou a se interessar pelas criptomoedas, seria este um bom momento de ampliar os investimentos, de vender para recuperar os ganhos ou arriscar uma jogada rápida de compra e venda buscando lucro imediato?

Primeiro vale lembrar que o Bitcoin é um ativo bastante volátil. Nesta quinta-feira, por exemplo, a criptomoeda sofreu uma rápida correção passando para o patamar de 11 mil dólares. Diante deste comportamento o Fernando Carvalho, CEO da fintech de criptoativos QR Capital, recomenda que o investidor reflita sobre o seu perfil e o tempo que pode esperar para ter um retorno. “Se é um investidor com visão de curto prazo esse pode ser um momento de realização, de venda. Mas se a expectativa é de longo prazo – de 24 a 36 meses – vale ampliar a carteira”, avalia o especialista.

Entre os motivos para a expectativa de alta do Bitcoin no longo prazo, Carvalho destaca a expectativa do halving em 2020. O movimento que ocorre a cada 4 anos compreende a divisão dos Bitcoins liberados aos mineradores. “Existe um comportamento histórico de que no ‘pré-halving’ o valor da moeda sobe porque a remuneração no minerador diminui e há um volume menor de ativos à venda”, observa o executivo.

Natália Garcia, diretora jurídica e sócia da corretora de criptomoedas FoxBit, levanta também o anúncio da Libra, moeda digital criada por um consórcio de empresas liderado pelo Facebook, como uma iniciativa que fortalece o Bitcoin. “Basicamente o que a Libra fez foi desvalorizar as moedas fiduciárias dos estados e o que isso faz é valorizar o Bitcoin que já é uma moeda global”, observa.

O CEO da QR Capital cita também a entrada de investidores institucionais – fundos e Family offices – na criptoeconomia como outro motivo da valorização destes ativos. “O que a gente percebe é que estão se criando os primeiros fundos de investimento nessa área”, comenta Fernando. Além da gestão de carteiras de criptoativos, a fintech aguarda a aprovação da CVM e da Anbima para a criação de um fundo multimercado com gestão ativa de cotas no exterior e uma parte em criptomoedas. A previsão é lançar o fundo ainda este ano.

Aos interessados em ampliar a carteira ou em estrear um aporta em criptomoedas Natalia, da Fox Bit, recomenda evitar momentos de alta. “Podemos esperar uma valorização? Podemos. Tanto a análise grafista quanto a fundamentalista indicam uma subida do preço”, afirma a especialista. Ela lembra que, em dezembro de 2017, o valor do Bitcoin dobrou em poucos dias alcançando a máxima histórica dos 20 mil dólares. Apostar em uma repetição da história, no entanto, é arriscado.

“Para uma pessoa que não tem Bitcoin é um momento perigoso para entrar porque ainda há um risco de queda”, comenta Natália. “Se a pessoa vai comprar criptomoedas para retirar no mês que vem é super arriscado. Eu só indicaria a compra para pessoas que estão buscando investimento de médio a longo prazo”, aconselha.

Outra atitude arriscada é apostar todas as fichas nas criptomoedas ou colocar o dinheiro do aluguel em Bitcoin, por exemplo. A dica dos especialistas para quem for investir é dedicar de 1% a, no máximo, 5% do patrimônio em criptoativos e estudar antes de investir.

Finalmente, evite cair em golpes. “Nestes momentos de subida agressiva do Bitcoin surgem muitos golpes como pirâmides financeiras e clubes de investimento”, alerta a diretora jurídica da FoxBit. Se for entrar no mercado de criptomoedas fique alerta. Busque referências, notícias e opiniões sobre a empresa e não acredite em promessas de retorno milagrosas. Vale consultar sites que vigiam moedas falsas e tentativas de golpe como badbitcoin.org e deadcoins.com .

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