O aumento no volume de compras pela internet, especialmente em datas como a Black Friday, que vem aí no fim de novembro, também é acompanhando pelo crescimento das mais diversas tentativas de captar seus dados financeiros e promover fraudes na rede. Para conscientizar os consumidores contra fraudes 18 bancos brasileiros se uniram para lançar a Semana de Segurança Digital.

A campanha anunciada nesta quinta-feira (17) pela Federação Brasileira dos Bancos, a Febraban, tem início no dia 20 de outubro com ações com campanhas didáticas sobre golpes nas redes sociais, incluindo o WhatsApp, links maliciosos, privacidade de dados, boletos falsos entre outros.

O movimento foi inspirado no mês da conscientização sobre a segurança cibernética – National Cybersecurity Awareness Month (NCSAM) – criado em outubro de 2003 nos Estados Unidos e em 2012 na Europa. A motivação para realizar uma campanha somente agora no Brasil é o aumento no volume de compras na rede e, consequentemente, das tentativas de fraude.

“O e-commerce alcançou volume volumes nunca vistos e a expectativa de crescimento é bastante relevante inclusive em função da Black Friday”, comentou Adriano Volpini, diretor da Comissão Executiva de Prevenção a Fraudes da Febraban, durante o anúncio da campanha. “Decidimos fazer uma semana de conscientização para despertar no brasileiro quais cuidado ele deve ter ao acessar os canais digitais”.

Somente na Black Friday, o e-commerce brasileiro deve faturar R$ 3,45 bilhões segundo estimativa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o que representa um volume 18% superior ao do ano passado. A intenção de compra, segundo pesquisa do Google, aumentou 58% este ano e a internet é o canal preferencial para 60% dos consumidores que esperam aproveitar as promoções.

Os criminosos também querem aproveitar a ansiedade dos consumidores em busca de um bom negócio. Dados da Febraban dão conta de que 70% dos golpes estão vinculados à engenharia social. O método  envolve basicamente a manipulação do consumidor para que ele forneça dados pessoais, financeiros, pessoais e senhas que abrem as portas de suas contas bancárias às quadrilhas especializadas.

A campanha tem como foco esclarecer o consumidor sobre as mais diversas tentativas de golpe.  Alguns exemplos apresentados pela Febraban incluem falsificações bem elaboradas de boletos de cobrança por e-mail, sites falsos de lojas online com ofertas milagrosas como uma TV de 60 polegadas por R$ 1.400 e perfis falsos no Instagram oferecendo promoções de viagem bem inusitadas para obter os dados e até o token da vítima. “Fizemos até um GIF com uma charge para alertar que ninguém vai ganhar um navio em uma promoção”, conta Bruno da Fonseca, coordenador da Subcomissão de Prevenção a Fraudes Eletrônicas da FEBRABAN.

Outro golpe inusitado envolvia um grupo no WhatsApp oferecendo personalização de cartões de crédito com imagens de super-heróis e times de futebol. Para isso bastava enviar os dados completos do seu cartão. E teve gente empolgada com a novidade que quase caiu no golpe.

A dica, no caso do Instagram, é buscar perfis verificados. Para o WhatsApp os bancos recomendam o seguinte: “Ative a verificação em duas etapas (Configurações (Android) / Ajustes (iOS) > Conta > Confirmação em duas etapas > ATIVAR) e o bloqueio de tela em sua conta no WhatsApp, confirme por telefone se algum conhecido pedir dinheiro emprestado por mensagem e nunca informe senha ou códigos”, aconselham os bancos.

Criar senhas fortes – com números e caracteres especiais – que sejam diferentes para cada serviço online que você acessa está entre as dicas que serão reforçadas na Semana de Segurança Digital. Como a memória não vai ser suficiente para armazenar tantas senhas, os bancos recomendam o uso de gerenciadores de senhas. E aqui eu deixo o link com uma lista de gerenciadores de senhas gratuitos testados pela AV-Test (em inglês).

Os golpes não ficam somente no ambiente digital. O golpe da central telefônica falsa simula o mesmo número da central de atendimento real para que o cliente acredite que é o banco e digite sua senha. A recomendação aqui é simples: o banco nunca vai te ligar usando as centrais de atendimento. Outra fraude física que se popularizou é o “golpe do motoboy”. O cliente recebe um alerta de que seu cartão foi clonado e que um portador vai retirar o cartão para perícia. Preocupada em não reaver o valor cobrado indevidamente, a vítima entrega o cartão aos criminosos.

As campanhas de alerta contra fraudes vão ocorrer especialmente em redes sociais como Instagram, Facebook e Twitter. Os portais dos bancos também terão vídeos e animações de conscientização e algumas agências bancárias exibirão dicas nos caixas eletrônicos e nas áreas internas.

O objetivo campanha é trazer mais educação do que dicas pontuais para quebrar o ciclo das fraudes. Afinal, como resumiram os próprios bancos “quanto mais o muro aumenta, mais o fraudador aumenta a escada”. Para blindar seus clientes dos golpes financeiros cada vez mais engenhosos os bancos investiram R$ 2 bilhões em segurança, de acordo com a mais recente pesquisa de tecnologia bancária da Febraban.

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