Os bancos brasileiros começarão a usar a tecnologia blockchain, que ficou conhecida por ser a base do sistema de compensação das criptomoedas, para combater fraudes em dispositivos móveis. O anúncio da Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional, que marca a primeira operação comercial do setor em blockchain no país, foi feito na última semana durante o evento de tecnologia bancária CIAB Febraban, em São Paulo.

A rede teve seu primeiro teste técnico anunciado há exatamente um ano no próprio CIAB e se concretizou contando com o investimento da Camara Interbancária de Pagamentos, associação civil sem fins lucrativos que integra o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e que integrará o comitê de governança da nova rede.

“A blockchain é ótima para fazer compartilhamento de informações”, comentou Joaquim Kawakama superintendente geral da CIP durante o anúncio feito em conjunto com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Na prática, segundo ele, quando um cliente ligar para o banco avisando que o celular foi furtado ou roubado, a instituição vai inserir a informação na rede e todos os outros bancos serão informados sobre o status daquele dispositivo.

Cada aparelho do correntista do banco é identificado por um Device ID, que inclui o IMEI e outros fatores que as instituições preferem não revelar por questões de segurança. O que pode acontecer quando o celular suspeito tentar fazer uma operação é ter uma transferência bloqueada, por exemplo, mas cada banco vai definir suas regras.

Por enquanto, a informação sobre um aparelho furtado, perdido ou roubado virá do próprio correntista, mas a CIP já está em contato com a Anatel para integrar o status de números IMEI bloqueados e com a ABR Telecom, entidade administradora da portabilidade numérica, para a entrada das operadoras de telefonia móvel. “Hoje vamos compartilhar informações sobre o celular, mas amanhã podemos compartilhar qualquer informação relacionada à fraude”, afirma Joaquim.

A rede blockchain vai integrar nove bancos (Banrisul, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Itaú, JP Morgan, Original, Santander e Sicoob) usando a plataforma de código aberto Hyperledger Fabric , da IBM. No momento quatro fazem os ajustes finais para iniciar a operação. No ano passado, os primeiros testes técnicos envolviam 18 bancos mas, segundo a Febraban a CIP, por questões jurídicas, alguns devem levar mais um tempinho para entrar no sistema.

O combate a fraudes será a prova de resistência da tecnologia distribuída para os bancos.  “Implantar a rede blockchain em um ambiente de alta segurança com um volume de transações bastante elevado são fatores essenciais para o sistema financeiro brasileiro que precisa processar centenas de milhares de transações por segundo” observa Leandro Vilain, diretor de operações da Febraban.

Entre os possíveis modelos de negócios dos bancos que poderiam ser aplicados à blockchain estão integrar o open banking – como o Banco Central já vem estudando – ou realizar transações. “O céu é o limite” comenta o superintendente da CIP. “Hoje a CIP compensa a TED e assegura a transação. Nesse novo modelo a confiança é distribuída”, compara o superintendente da CIP.

Outro atrativo a blockchain para realizar transações é a rastreabilidade. Assim como na negociação de uma criptomoeda, uma transferência deixa um registro que não pode ser alterado. Para chegar a esse ponto, no entanto, os bancos brasileiros precisam de uma rede mais robusta. “O mercado brasileiro sozinho representa o tamanho da Europa no sistema financeiro mundial”, observa Vilain. “Usar a blockchain neste cenário exige uma análise mais profunda de compartilhamento de informações considerando que é um processo que se concentra em determinados pontos do dia”, avalia.

O novo modelo também precisa ser vantajoso para os bancos e para os clientes. Afinal, a CIP fez o investimento inaugural, mas as instituições financeiras devem colaborar, não só tecnicamente, com outras aplicações na blockchain. Conforme pontuou Gustavo Fosse, diretor técnico da Febraban, a vocação para a blockchain existe e vem sendo estudada pelo setor desde 2016. Entretanto, “não basta transferir a transação [de um sistema para outro], mas avaliar o que eu vou trazer de benefício com o novo sistema”.

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Bancos brasileiros vão usar blockchain para combater fraudes
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