Na coluna passada, escrevi sobre a ascensão dos microinfluenciadores e destaquei que a proximidade que mantinham com seus seguidores era fundamental para alimentar essa relação. Além disso, sua autenticidade, isto é, a forma como se apresentavam nas redes sociais, sem se preocupar em criar uma “persona” sem defeitos, reforçava laços entre seres humanos, e não entre um mito e seus fãs. Ainda que seu objetivo não seja se tornar uma estrela do mundo digital, ser autêntico é uma qualidade cada vez mais apreciada no ambiente corporativo.

Ser você é o melhor conselho que se pode dar para começar o ano. O que não quer dizer falar tudo o que vier à sua cabeça, ou confundir franqueza com grosseria. Mas aposente os trejeitos, as posturas falsas, a atuação: quando estamos à vontade, sendo nós mesmos, nos comunicamos melhor, estabelecemos uma conexão com maior empatia e despertamos a confiança dos outros.

Talvez o processo de se livrar dessas “camadas” de representação seja um pouco penoso, mas valerá a pena porque envolve também uma jornada de autoconhecimento. Pergunte-se: normalmente, qual é o seu estilo para falar em público ou fazer uma apresentação? Gesticula, ri ou se contém? É do tipo formal, informal ou emocional, capaz de se chorar ao contar uma história? Faça a mesma pergunta a amigos, familiares, colegas. Analise quão distantes estão as avaliações deles da sua, e reflita: será que você está forçando a barra para aparentar ser alguém diferente e isso leva os outros a considerá-lo ou considerá-la artificial?

A etapa seguinte é fazer aflorar seu eu verdadeiro, trazendo-o para o trato com as pessoas, reuniões, eventos sociais. Não precisa fazer isso acontecer de estalo, nem se “despir” totalmente do modelo anterior – na verdade, para navegar nos turbulentos mares do mundo corporativo, é bom ter um pouco de cada estilo, mas respeitando seu modo de ser.

Você vai descobrir que autenticidade não significa agir sempre da mesma maneira (esse é justamente o roteiro de quem não tem o atributo), e sim se adaptar às situações, se valer de diferentes abordagens e aprender com os erros, sem ficar preso ou presa a um papel esquemático.

CONTINUAR LENDO
1 0