Os brasileiros nunca tiveram tanto acesso e utilizaram tanto o crédito. Em seu último relatório sobre as operações de crédito no país, o Banco Central informou um saldo de financiamentos de mais de três trilhões de reais.

Mas o que dá a verdadeira dimensão do crédito é a relação com o Produto Interno Bruto (PIB) que, segundo este mesmo relatório atingiu em setembro 55%.

Flavio Calife, economista da Boa Vista SCPC, lembra que até o fim dos anos 90, a relação era em torno de 22%, ou seja, mais que dobramos a quantidade de crédito disponível.

Ainda é pouco. No Chile e na África do Sul, para comparar com países com o mesmo grau de desenvolvimento do Brasil, o crédito ultrapassa 100% do PIB. Nos Estados Unidos, depois da forte desalavancagem forçada pela crise, ainda é 195% ou seja, os americanos têm empenhado em dívidas quase duas vezes o PIB, informa um relatório do Banco Mundial.

Outro dado importante é que o perfil do crédito brasileiro melhorou nos últimos 15 anos. A inadimplência da pessoa física, que girava em torno de 9,5% a 12% no ano 2000, hoje está na faixa de 4%, segundo dados do Banco Central. O spread baixou de 58% para 26% no mesmo período. Em meados dos anos 90 chegava a 85%!

Alguns fatores foram determinantes para a evolução do crédito no Brasil, e o principal deles, diz Calife, é a estabilização da moeda. Financiamentos eram insustentáveis na época da hiperinflação.

Outro fator chave é a informação que, quanto maior, mais diminui o risco. Consequentemente, o custo dos bancos e da cadeia de varejo em financiar suas vendas fica menor, atesta o economista da Boa Vista SCPC, empresa que está completando 60 anos no negócio de informação para o varejo sobre a situação dos devedores.

A primeira conclusão é que o Brasil ainda teria espaço para aumentar o crédito. Mas na situação atual, não é bem assim: “O endividamento brasileiro é mais arriscado porque os prazos são mais curtos e os juros muito maiores (que em outros países)”, diz Calife.

Por causa dos juros, a chance de uma dívida virar uma bola de neve e sair do controle em pouco tempo, é muito grande.
Como a taxa de juros alta está relacionada com a necessidade de ajuste fiscal do governo, fica clara a relação com a nossa capacidade de compra.

E também fica mais fácil entender por que, a menos de dois meses do Natal, precisamos repensar os planos de consumo, pelo menos o que pretendemos comprar a prazo.
 

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