Na semana passada, a imprensa alemã quebrou um tabu. Tradicionalmente, os veículos de comunicação não se debruçavam sobre assuntos pessoais dos políticos e governantes, mas a saúde da chanceler Angela Merkel fez com que esse acordo tácito caísse por terra. Na quarta-feira, dia 10, ela foi mais uma vez flagrada tremendo sem controle durante um evento. Era o terceiro episódio desse tipo em menos de um mês.

Angela Merkel insistiu que estava bem, mas a resposta lacônica de que se encontrava “apta para o trabalho” não foi suficiente diante das imagens exibidas e discutidas à exaustão, nas quais a chanceler se esforça – sem sucesso – para manter braços e pernas parados ao lado do primeiro-ministro da Finlândia. Na quinta-feira, chamou atenção o fato de estar sentada numa solenidade. No dia 18 de junho, data do primeiro episódio, a dirigente estava acompanhada do presidente da Ucrânia; nove dias depois, os tremores ocorreram num encontro com o presidente alemão, antes de viajar para a reunião do G20 no Japão.

A chanceler fará 65 anos nesta quarta, dia 17 de julho, e não tem um histórico de problemas graves de saúde, o que talvez torne o assunto ainda mais sensível naquele país. No entanto, a importância de uma liderança estar plenamente capacitada para exercer seu cargo é uma preocupação de governos e empresas.

Nas campanhas presidenciais nos Estados Unidos, os candidatos sofrem o que se poderia chamar de uma devassa da mídia sobre seu histórico médico. Também é este o motivo para executivos se submeterem anualmente a check-ups pagos pelas companhias. Num governo, a substituição de um presidente ou primeiro-ministro é capaz de causar enorme turbulência política – e o Brasil aprendeu isso com a morte de Tancredo Neves. No mundo empresarial, a saúde financeira da firma está associada à aptidão física de seus dirigentes, responsáveis por estabelecer metas e pensar no futuro do negócio. Qualquer mudança significará uma curva de aprendizado de custos consideráveis.

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