Chesley Sullenberger beirava os 60 anos quando foi alçado pela revista Time como um dos 100 heróis de 2009. Em janeiro daquele ano ele salvou a vida de 155 pessoas, inclusive a dele próprio, ao conseguir pousar no Rio Hudson em Nova York um Airbus que perdeu os dois motores logo após a decolagem por causa de uma colisão com pássaros.

A história está nos cinemas e conta muito mais do que o episódio bem-sucedido daquele poderia ter sido um dos maiores acidentes aéreos da história da aviação. Todos sobreviveram graças a experiência do profissional que estava na cadeira de comando da aeronave.

Tivesse ele seguido o que diz o manual e os computadores de bordo, que insistiam que ele deveria seguir para um dos dois aeroportos mais próximos, o final desta história seria provavelmente trágico, como ficou claro na investigação que se seguiu ao acidente.

Fui ver o filme na quinta-feira e saí do cinema convencida de que o legado de Sully é ainda maior do que as vidas que ele salvou, o que, é bom reforçar, já não é pouca coisa. Numa coluna publicada no último dia 29 de novembro na Folha de São Paulo, o escritor português João Pereira Coutinho, resume bem um dos principais ensinamentos que Sully nos deixa com sua vivência:  

“E, se os computadores dizem que ele está errado, ele sabe que não está –uma sabedoria que não se encontra em nenhum livro porque a experiência humana não é uma equação matemática.

As máquinas são ideais para lidar com situações ideais. Infelizmente, o mundo comum é perpetuamente devassado por contingências, ambiguidades, angústias, mas também súbitas iluminações que só os seres humanos, e não as máquinas, são capazes de entender”.

É a vitória da experiência sobre os algoritmos. E a experiência, por definição, só vem com o tempo. Por mais brilhante que seja um profissional, é o tempo, a idade, a maturidade que lhe confere experiência.

No ano em que o Brasil começou a discutir a reforma de previdência, uma das principais questões que chegam de ouvintes, internautas e telespectadores é: como me aposentar aos 65 anos se já não há emprego depois dos 50? O que faremos até lá?

Então o ponto não é a idade mínima da aposentadoria, mas fundamentalmente como se dará a absorção dessa massa de trabalhadores onde o diferencial é a experiência.

As áreas de Recursos Humanos estão atentas a esta profunda mudança que está ocorrendo em todo o planeta?

E você é capaz de identificar suas competências e onde estão seus diferenciais para iniciar novos ciclos em sua carreira ou uma nova carreira?

Sully se aposentou da aviação no ano seguinte e decolou para outros mercados. Voa agora como palestrante, comentarista de segurança aérea e escritor. Está com 65 anos de idade. Muito jovem ainda para Clint Eastwood, 86 anos, o responsável por levar esta lição de vida para as telas de cinema. 

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