Os longos anos dessa recessão me ensinaram a soltar as amarras do custo fixo, o maior vilão das finanças pessoais.
 
Esqueça aquela história de anotar tudo o que gasta. Se você é como eu, nunca conseguirá tal façanha. Pode ser um bom conselho; para mim não funciona. Anotar o gasto com um café? Fala sério! Se eu esqueço de anotar na agenda a reunião com um presidente de empresa, imagina o cafezinho ….
 
O diabo mora nos pequenos gastos diários, dizem os planejadores financeiros. No meu caso, o coisa ruim habitava os gastos fixos. Eram tantos que eu morria de inveja de quem falava em compras por impulso… adoraria ter esta oportunidade. Meu problema era ter todo o orçamento amarrado a despesas fixas, das quais é mais difícil se desvencilhar. 
 
Então, veio a recessão e também a inflação. A inflação come a renda; a recessão impede sua recomposição.
 
Assim, com menos dinheiro no orçamento, tornou-se fundamental rever os gastos fixos. Ajustar o padrão de vida à nova realidade. 
 
Comecei a rever os custos um a um. O plano de saúde foi ajustado um degrau abaixo. A princípio, isso me doeu. Mas uma análise cuidadosa me mostrou que meus médicos também atendiam nos hospitais conveniados ao novo plano. Ótimos hospitais, diga-se de passagem. Consegui reduzir este custo em 70%!!!!
 
Outro que dançou foi o carro. Há pouco mais de um ano, me desfiz dele; fácil, fácil. Não sinto a menor falta.  Parei de pagar seguro, IPVA, revisão. Hoje, recebo os rendimentos da aplicação feita com o dinheiro da venda. 
 
Fixei meu olhar no essencial e, bingo, as despesas que agregavam pouco ou nada se destacaram. Aqueles “compromissos” com terceiros – que, aqui, não merecerão detalhes, mas aposto que você também os têm – foram reavaliados.
 
Corta, corta, corta, este foi o meu lema. Aí, descobri que tinha mais dinheiro para viajar, ir ao cinema, ao teatro, comprar livros, enfim, para aquele mundo maravilhoso dos gastos discricionários. Gastos que você rigorosamente não precisa ter, mas que lhe enchem de prazer. Gastos que você só faz quando tem uma graninha sobrando. 
 
Troquei IPVA, seguro do carro, serviço disso, serviço daquilo, pela liberdade de gastar com coisas que me enchem de prazer.
 
Veja bem, não saí torrando dinheiro. Mesmo para os gastos discricionários, é bom se planejar. Mas a beleza desses gastos é que você pode cortá-los da noite para o dia sem problemas.
 
Viver com pouco lhe enriquece. Porém, o mais importante é o ganho de liberdade para alçar voos mais altos. 
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