O jornalista Adam Bryant entrevistou mais de 500 CEOs para sua coluna sobre liderança e gestão no “The New York Times”. Em cerca de dez anos, deparou-se com diferentes estilos e visões sobre como comandar os subordinados e descobrir talentos. Quis saber que conselhos esses superchefes dariam e quais gostariam de ter recebido. Embora afirme que não há receita para se tornar um CEO, Bryant diz que há alguns atributos – além de perseverança e trabalho duro – que são recorrentes entre os profissionais que alcançaram o topo.

A primeira qualidade que ele aponta é a curiosidade inesgotável dessas pessoas: querem sempre saber como as coisas funcionam e logo já estão imaginando o que fazer para que sejam aperfeiçoadas. Também são curiosas sobre os outros e querem conhecer suas histórias. A segunda é o gosto pelo desafio – desconforto é a zona de conforto desses líderes. A terceira é como administram sua própria carreira, com 100% de foco no que estão fazendo. Parece meio óbvio, mas há muita gente no ambiente corporativo que está mais interessada nos esquemas necessários para galgar os próximos degraus do que no trabalho que está sendo feito.

No quesito liderança, Bryant avalia que esse é um campo cheio de paradoxos. O líder precisa ter humildade para saber quando não domina um assunto, mas também audácia para tomar decisões num clima de ambiguidade. Um pouco de caos pode tornar a equipe criativa e inovadora, mas não impor limites resulta em anarquia. Empatia é fundamental para cuidar do time, mas é indispensável saber a hora de dispensar o colaborador que está afundando o barco. Essa busca do equilíbrio é permanente, mas, segundo o jornalista, o mais importante é confiança que inspira: temos convicção de que nosso chefe tomará a decisão correta? Será honesto e não esconderá a verdade? Assume seus erros e dá crédito a quem de direito? Sorte de quem convive com um CEO que passa pelo crivo dessas perguntas.

Foram muitos os bons conselhos ouvidos nesse período e ele selecionou dois. Para a carreira, usou a sugestão de Joseph Plumeri, da empresa First Data: “entre no jogo e se arrisque”. Plumeri alegava que toda vez que a pessoa se envolve, algo acontece. O conselho para a vida toda foi dado por Ruth Simmons, presidente da Prairie Views A&M University, tendo como alvo estudantes e jovens profissionais: “nunca achem que podem prever que experiências serão mais relevantes. É preciso estar aberto porque a qualquer momento existe a possibilidade de se aprender a lição mais importante da nossa vida”. A última coluna de Byrant foi publicada no dia 27 de outubro. Vai deixar saudades.

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