No começo do ano, falei da tendência, em expansão, do trabalho remoto e da importância de manter o foco e a produtividade em casa – quem quiser pode ler a coluna no endereço (http://letraselucros.com/trabalho-remoto-va-se-acostumando-voce-ainda-vai-ter-um/). Agora, a questão que vem ganhando cada vez mais espaço é justamente como estabelecer limites para não ser engolido por um buraco negro de dedicação profissional ininterrupta.

Para começar aproveite que não precisa marcar presença no serviço para regular seu horário com seu relógio biológico. Se você é do tipo noturno, pode iniciar seu expediente quando a maioria está deixando o escritório – e aproveitar as horas durante as quais está mais alerta. No entanto, se for da turma que rende pela manhã, um cuidado é fundamental: não pule direto da cama para o telefone e o computador. Antes de pôr a mão na massa, não esqueça de tomar banho e forrar o estômago com um bom desjejum. Nada de descuidar da higiene pessoal ou passar o dia de pijama só porque está trabalhando em casa. A propósito: os noctívagos têm que se organizar para fazer uma atividade física, que é fundamental.

Estabelecer horários e cronogramas é a melhor maneira de evitar a sensação de burnout, tema da coluna da semana anterior. É importante ter hora para dormir e acordar, para evitar que o cansaço interfira em sua produtividade e crie um efeito dominó de culpa, ansiedade e esgotamento. Seja seu próprio bedel e programe o alarme do celular para as pausas: no meio da manhã; hora do almoço; lanche da tarde; jantar; e finalmente para dar por encerrado o expediente daquele dia. Há diversos aplicativos disponíveis, basta dar uma busca em agenda diária e calendário; ou, em inglês, calendar, day planner, task schedule.

São dois benefícios: assim você terá que sair da cadeira, dar uma volta e esticar as pernas, até que esses momentos de descanso também se tornem rotina. O outro é ter uma noção mais precisa do seu ritmo, de quando está atento ou disperso, de forma a fazer os ajustes na agenda e encontrar as brechas para fazer exercício, resolver pendências domésticas ou na rua e quebrar o isolamento. Uma coisa é certa: uma jornada de oito horas numa empresa nunca é 100% produtiva. Tem o papo do cafezinho ou do chá, muita conversa jogada fora sobre futebol, filhos e bichos de estimação – e isso é bom, porque relaxa e cria laços entre os colaboradores. Em casa, é preciso fazer o mesmo. Liberdade e flexibilidade não podem se transformar em experiências exaustivas durante as quais a pessoa esquece até de beber água e ir ao banheiro. Esse é o caminho mais rápido para encurtar sua carreira remota.

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