Para a geração baby boomer, que nasceu entre o fim da 2ª. Guerra Mundial e o começo dos anos de 1960, um dos maiores fantasmas profissionais era o que fazer com a perda do sobrenome corporativo. Ao ser demitido ou chegar à aposentadoria, muitos funcionários ficavam sem chão, por não conseguir se dissociar da empresa à qual tinham dedicado sua vida. Às vezes, essas pessoas nem sequer ocupavam cargos executivos, mas a falta de outros interesses, somada à dedicação integral ao trabalho, acabava criando uma legião de “órfãos”. Verdade que o ambiente das corporações ainda exige muito tempo de seus empregados, mas algo está mudando.

Os mais jovens, ao encarar as agruras da economia e a dificuldade de arranjar emprego com carteira assinada, já não se arrepiam diante da perspectiva de serem autônomos. Ainda que empreendedorismo não seja disciplina presente em todos os cursos, o sucesso meteórico de muitos youtubers estimula a novíssima geração a querer ser dona do próprio nariz – principalmente, dona da própria agenda, podendo criar para si uma carga horária mais flexível.

Um outro grupo que vem se “rebelando” é composto de executivos na faixa dos 40 anos. Apesar de terem uma carreira já estabilizada, se deram conta de que os ônus do mundo corporativo talvez não compensem os bônus de fim de ano. A jornada é longa demais, o que impede mães e pais de acompanhar o crescimento dos filhos. As intrigas “palacianas” pelo poder podem ser eletrizantes no seriado “Game of Thrones”, mas fazem mal à saúde. Na hora do check-up, o resultado tem de tudo: sobrepeso, pressão alta, pré-diabetes… Pesando prós e contras e olhando para a frente, ou seja, pensando em qualidade de vida e como querem chegar na terceira idade, esses quarentões estão em busca de novos negócios, nem sempre tão bem remunerados, mas que permitam manter o padrão a que estão acostumados e lhes tragam mais prazer.

No caso desses executivos, haverá uma transição que pode causar um friozinho na barriga. Afinal, o status anterior incluía secretária, carro da firma e outras benesses, ao passo que abrir empresa, achar contador e se entender com a equipe de TI representa um aprendizado e tanto. A seu favor, têm capital intelectual e social que ajudará a pavimentar esse caminho. Além disso, é só imaginar o fim de: a) reuniões intermináveis e infrutíferas; b) mensagens de todo tipo chegando às dez ou onze da noite, ou no meio das férias, que exigem resposta imediata; c) orçamentos que não correspondem à realidade e produzem desgaste pessoal e com a equipe. A garotada, por sua vez, se mostra cada vez menos interessada em ingressar neste tipo de ambiente tóxico. As empresas é que sairão perdendo: tanto os talentos maduros, no auge da sua produtividade, quanto os mais jovens e cheios de potencial.

 

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