A história é real, mas tão dramática que é melhor deixar no anonimato.

Para que não penses que sou exagerada, deixo que vejas parte da angústia de nossa leitora:

“Em agosto de 2015 tive que fazer um empréstimo de 3.500,00 para poder pagar meu aluguel por dois meses, pois não tinha aonde ir morar.

            Depois de dois meses, consegui um emprego e paguei duas parcelas deste empréstimo. Após 90 dias empregada, fui demitida em dezembro de 2015 e não consegui outra colocação até hoje.

            Em 2016 peguei mais 2.500,00 para pagar uma moradia provisória para não ficar na rua e a minha ex-gerente do Banco do Brasil me ajudou liberando este valor. Fiz alguns freelas e paguei uma parcela. Depois disso eu não consegui mais pagar nada e estou em dívida desde julho de 2016.

            A minha dívida foi “vendida” pelo o banco para uma empresa de cobrança chamada “Cash do Brasil” e a última vez que eles me ligaram, disseram que o valor atual está em 18.500,00 mais ou menos”.

 

Histórias como esta são comuns num país que amarga três anos de recessão e vê pouca luz no fim do túnel. Mas quando o problema chega nos sentimos sozinhos.

O ponto mais importante é: onde morar? Está claro que não se pode pagar o aluguel com o cheque especial ou um empréstimo. Trata-se de uma armadilha financeira perigosa.

Então, o problema principal aqui não é pagar a dívida, mas sim encontrar um novo lar que se encaixe no orçamento. Houve uma queda brutal de renda, de 4 mil reais para 1 mil reais.

A boa notícia é que a renda caiu para todo mundo, então o ambiente é favorável a renegociações. Algumas alternativas que podem ser bem-sucedidas:

 

  • Fale com o proprietário do imóvel. Seja franca, conte exatamente tudo o que aconteceu e peça alguns meses de carência. Isso mesmo, diga que vai pagar taxas e condomínio, mas precisa se reorganizar e nesses meses não terá como pagar o aluguel. O proprietário sabe que não está fácil para ninguém e que vai demorar a alugar se você deixar o imóvel. Então o ajude a fazer as contas, seis meses sem alugar o imóvel é o mesmo que uma rentabilidade negativa, pois terá que pagar o condomínio e outras taxas. Pior do que não ganhar nada por alguns meses é ter que ainda desembolsar para pagar despesas.
  • Procure alguém para dividir o aluguel. Lembre-se, mais pessoas estão na mesma situação. A crise chegou para todos.
  • Quanto você pode pagar de aluguel com a nova renda? Procure um imóvel neste padrão. Como os aluguéis baixaram de preço talvez você encontre algo mais razoável em termos financeiros, mas que não reduza tanto o padrão.
  • Não tenha medo de ter que se mudar mesmo que seja para um quarto até reorganizar suas finanças. Como a crise chegou para todos, há muitas pessoas que estão alugando quartos justamente para tentar melhorar a renda da família.

 

Ah, e a dívida? Primeiro, a empresa cobradora tem que lhe explicar os cálculos que fizeram uma dívida inicial de 5 mil reais saltar para mais de 18 mil em pouco mais de um ano. Depois vá ao Procon pedir auxílio para renegociar. Eu posso apostar que a empresa levará mais tempo para explicar essas contas do que você para se reorganizar financeiramente.

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