“Dona Mônica, não preciso de mais nada não. Obrigada!”

Essa foi a frase que ouvi da Ana, uma funcionária que trabalha comigo há muitos anos, quando fui lhe dar (dezenas de) roupas e sapatos que estavam encalhados no meu armário.

Armário, aliás, que dificilmente está vazio. Sempre fui uma pessoa vaidosa e adoro investir em vestidos, blusas, sapatos, bolsas… “Ah, francamente: qual mulher não gosta disso?” É o que passava na minha cabeça quando eu achava que tinha passado dos limites.  Porém, tudo o que é demais não é saudável, concordam? Ao longo de tantas experiências de vida, buscar o equilíbrio em tudo se tornou uma necessidade. É um grande desafio, é claro, e quando o assunto era o consumismo, eu estava perdendo de 7×1.

Não sei exatamente o motivo de tanto consumismo naquela fase, mas, o fato é que meu guarda-roupa estava entulhado de peças pouco ou até mesmo nunca utilizadas. É isso mesmo: nunca utilizadas! Para ter uma noção da quantidade, eu fiz doações para projetos sociais dos quais faço parte, dei em montes para colegas e ainda assim restaram caixas de roupas em casa.

A grande questão é que, ao ouvir a frase com a qual abri este texto, da Ana, alguma coisa despertou no meu interior. Como um choque, sabe? Comecei a me dar conta de que tinha algo de errado comigo. Quanto de dinheiro investido tinha ali naquelas peças todas (e, diga-se de passagem, que estamos falando de peças de marcas reconhecidas pelo mundo feminino e com o precinho acima da média de mercado)?

Intrigada e desconfortável com toda aquela situação, comecei a pensar no que eu faria com tantas roupas. Era um mix de sentimentos: vontade de me desfazer de tudo aquilo o mais rápido possível, mas também um racional pensamento de como eu poderia retornar parte do investimento que fiz. Foi aí que veio a ideia de fazer um bazar.

Com uma vida tão corrida, a solução que pensei seria fazer um bazar online. Isso iria dar a elas a liberdade para que escolhessem no seu tempo, além de eu não precisar me deslocar fisicamente com aquele tanto de caixas pela cidade. Com muita dedicação, arrumei uma manequim, que apelidei de Judite, para montar os looks e chamar a atenção das minhas amigas.

Depois de preparar todo o material, eu, animadíssima, comecei a pensar em qual seria o nome que daria para o bazar. Perceba: o que seria uma simples venda de roupas para as amigas, estava se tornando quase um evento.

Pensa daqui, pensa dali, mais uma ideia: que tal trazer um tom informal e atual para atrair compradoras? Com certeza isso me ajudaria a vender as peças de forma mais rápida! Foi aí que nasceu o “Alô,meninas!”, grupo  que criei nas redes sociais, inicialmente com 33 amigas mais próximas.

Fiz o primeiro bazar e o sucesso foi total. Todas aquelas peças vendidas, ainda que por preços mais baixos, me traziam um conforto e a consciência menos pesada. Afinal, parte do dinheiro investido estava retornando para mim, não é mesmo? O sucesso foi tão grande que tomei gosto pela coisa. A pedido das compradoras, que queriam repetir aquela experiência de compra semi-online, passei a revender peças novas com base no meu estilo de vestir. E aí batizamos este espaço como “Vitrine Alô, meninas!”. Em todas as peças, as integrantes do grupo recebiam dicas de como montar um look a partir daquela que estava adquirindo. O resultado foi ver todas as vitrines com 100% do estoque vendido.

Entre uma vitrine e outra, identifiquei o quanto que estas mulheres estavam sedentas por informações que as ajudassem a ter o equilíbrio (olha ele aí de novo) entre a vida pessoal e a vida profissional, como conseguir conciliar tantos papéis ao mesmo tempo. Foi aí que descobri um potencial de mercado. Aliei minha formação a esta necessidade e, hoje, o “Alô, meninas!” é um canal de desenvolvimento profissional e pessoal do público feminino, com mais de 9 mil mulheres espalhadas pelo Brasil todo.

Conclusões que tiro disso tudo? A consciência dos seus atos sobre como vai utilizar o seu dinheiro é fundamental para ter um futuro promissor. Reflita sempre e não tenha medo de mudar!

 

Mônica Martins Bortoleto é fundadora da marca Alô Meninas, que tem a missão de desenvolver e empoderar mulheres para que alcancem seus objetivos de vida. Pedagoga de formação e especialista em gestão empresarial, há 20 anos no mercado financeiro e, atualmente, é gerente de comunicação em um dos maiores grupos de seguros e previdência do mundo.

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