Criar os filhos em um mundo dominado por apelos ao consumo é complicado e exige um esforço emocional enorme – além do esforço físico e mental de ter que trabalhar o dia todo e ainda cuidar das crianças.

Em pesquisa realizada pela SPC Brasil (leia aqui) com mães de filhos de zero a 18 anos, 17,4% delas admitiram gastar demasiado com presentes e produtos supérfluos para compensar a ausência no dia a dia das crianças.

A psicóloga Margareth Montenegro, especializada na orientação e relacionamento familiar, confirma: as mães que estimulam o consumismo exagerado nos filhos em geral estão buscando compensar o pouco contato que têm com eles. “É compensatório, são problemas da vida atual dos pais e dos jovens”, disse.

Ela reiterou que os números da pesquisa da SPC Brasil refletem a realidade que ela encontra diariamente em sua clínica. "A dificuldade dos pais em colocar limites, seja ao consumo, seja a outros aspectos do comportamento dos filhos, é o padrão em 80% dos casos" que ela atende.

Sua interpretação é que trata-se do resultado de um longo processo, que vem desde os anos 1970, quando as mulheres saíram de casa para trabalhar. “A saída teve um preço, cobrado na (falta de ) atenção aos filhos”.

Margareth frisa que não cabe julgar se esse processo é bom ou ruim, apenas lidar com o dado que é a realidade. E alerta: “Os pais não devem se sentir culpados”.

Em sua terapia – que em alguns casos é feita até on-line – ela indica que o primeiro passo para enfrentar esse problema é resgatar a autoestima dos pais, afastando o sentimento de culpa. “Os pais tem responsabilidade, não culpa. Tudo o que eles fazem é o que pensam ser melhor para os filhos”.

Aqui ela dá algumas orientações:

 

  • Reflita – antes de mais nada, faça uma reflexão sincera sobre a dificuldade em controlar o consumismo de seu filho. Será um problema da criança mesmo? Ou será seu?
  • Procure ajuda – identificado um problema, seja dos pais ou das crianças (ou de ambos) e reconhecida a incapacidade de lidar com ele, procure ajuda.
  • Qualidade de vida – Se você tem pouco tempo com seus filhos, dedique a eles: conversar e dar atenção é tudo o que eles querem e custa zero em dinheiro.
  • Diga não – Se você tem uma posição firme, mantenha-a e aprenda a dizer não quando necessário.
  • Dê limites – Se você tem certeza do que está fazendo, dar limite aos filhos só vai fazer bem a eles, mesmo que a primeira reação seja uma cara feia.
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