Foi em 2004 que decidi largar o chamado “emprego estável” e correr atrás do sonho de criar a primeira editora especializada em finanças pessoais do País. Aquela que seria a maior do planeta e iria melhorar a vida de todos no universo, ajudando famílias a se organizar para não cair em armadilhas financeiras, a construir uma relação saudável com o dinheiro.
 
Naquela época, tinha carteira assinada no jornal Valor Econômico, salário, férias, décimo-terceiro, seguro saúde e alguns mimos como um carro dado pela empresa e direito a uma viagem para o exterior por ano com acompanhante.
 
Estranhamente, minha decisão não causou nenhum frisson no mercado. Entre amigos e parentes houve, sim, muitos comentários. Uns contra outros a favor. Alguns dando força, outros conselhos. Enfim, coisa normal numa família, onde todo mundo dá palpite na vida de todo mundo.
 
Foi a última vez que tive uma “carteira assinada”, a chamada estabilidade. Desde então passei a ser uma jornalista freelancer. Fechei diversos contratos para escrever colunas em vários canais, escrevi livros e, nos últimos sete anos, passei também a trabalhar no vídeo, com três colunas semanais: duas na TV Globo e uma na GloboNews. 
Jornalismo para mim é paixão. Desde os 18 anos, não faço outra coisa. Em todos esses anos, trabalhei em importantes empresas de comunicação. Algumas não mais existem. Infelizmente, não resistiram às mudanças dos tempos. E todas as mudanças estruturais que estão ocorrendo neste mercado me levaram a empreender, mas sempre dentro da única coisa que sei fazer, jornalismo. 
 
Trabalhar no grupo Globo foi uma experiência incrível. Um aprendizado fantástico (sem trocadilho). A Globo não é líder por acaso. Tem uma equipe de primeiríssima linha. Fiz grandes amigos e passei anos de contínuo crescimento.
 
Mas lembra o que falei no começo, larguei o emprego estável para criar uma editora. Virei uma empreendedora e tudo, rigorosamente tudo, o que fiz nesses 13 anos desde que dei adeus à carteira de trabalho foi focado na minha editora.
 
Ainda era uma editora que não tinha condições de me sustentar. Era eu que lavava, passava e cozinhava para tocar minha empresa, sem precisar dela para sobreviver. Ou seja, eu tinha que trabalhar para sustentar a mim e a Letras.
 
Dizem que empreender no Brasil é coisa para os fortes. Com esses mais de dez anos na lida, eu digo, com toda a certeza, que é para os desavisados, mas que não temem desafios e gostam de criar. A minha experiência como empreendedora começo contar nesta terça-feira na página do Medium https://medium.com/@MaraLuquet, para que você, que está pensando em abrir seu próprio negócio, saiba o que lhe espera.
 
Nessa mais de uma década, o mercado mudou, mas a demanda por informações financeiras de qualidade só aumentou. Os motivos são muitos. A reforma trabalhista, a reforma da previdência, a queda nos juros, o aumento da expectativa de vida, tudo isso junto e misturado só fez crescer a necessidade de boas informações para a tomada de decisões acertadas.
 
Com o apoio da tecnologia, a Letras & Lucros começou a crescer, a ter mais assinantes e patrocinadores interessados em seu conteúdo. Eu, que venho estudando esse mercado há 20 anos, não tenho o direito de deixar esse bonde passar sem nele embarcar. 
CONTINUAR LENDO
1 0