Boa tarde! Preciso de uma orientação em relação a financiamento imobiliário. Fiz o financiamento do meu apartamento no início do ano. O valor do apartamento era R$ 340.000,00 e eu realizei uma entrada de R$ 120.000,00, ficando um saldo devedor de R$ 220.000,00. A taxa de juros é de 10,5% ao ano. Tenho aplicado R$ 170.000,00 sendo que R$ 100.000,00 são em fundos de investimentos e R$ 70.000,00 em CDB. Recebi R$ 60.000,00 da minha empresa no final do ano e não sei se a melhor saída seria aplicar esse dinheiro ou amortizar parte da dívida do apartamento em função dos altos juros do meu contrato. Qual seria a melhor saída?

Olá!

Obrigada por acompanhar a gente aqui no Letras & Lucros!

Para responder a sua pergunta, seria importante a gente saber qual foi o prazo do financiamento. Como você não informou, vamos supor que sejam 25 anos, que é um prazo comum nesse tipo de operação. Vamos supor ainda que o modelo escolhido para as prestações seja o da Tabela Price, ou seja: com prestações fixas.

O planejador financeiro Marcelo Milech, certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros) ajudou a gente nessa tarefa. Se essas duas suposições que fizemos forem verdadeiras, o valor da prestação seria de R$ 2.011,56. Agora… quanto isso representa da sua renda?  “Para ter capacidade de servir a dívida com segurança, e sem grandes sobressaltos, esse percentual deveria ser de até 20% da disponibilidade mensal do leitor”, explica Marcelo.

Se for isso mesmo, você tem uma renda mensal de uns R$ 10.000,00. Diante disso, você deve ou não usar a grana que recebeu no fim do ano e mais o que tem investido para abater a dívida? Você sabe que é importante ter uma reserva de emergência, né? Porque caso haja algum imprevisto, como perder o emprego ou ter uma despesa médica, você tem esse dinheiro pra se segurar. Marcelo Milech diz que é importante ter entre 6 e 12 vezes o valor da renda mensal. Então, seria legal você reservar R$ 120.000,00 para essa reserva de emergência. Claro que você não vai deixar esse dinheiro parado. Pode aplicar no Tesouro Direto ou em algum CDB com boa liquidez.

E o que fazer com o que sobra depois de separar o valor dessa reserva de emergência? Pra decidir, tem que olhar as taxas oferecidas no mercado. “É possível obter mais do que 10,5% ao ano em aplicações seguras? Se isso for possível não haveria razão econômica para amortizar a dívida, pois a poupança do leitor cresceria numa proporção maior que a sua dívida. Quando olhamos as taxas de juros dos títulos de longo prazo do Tesouro (que são as aplicações com o menor risco no Brasil), verificamos que as taxas pré-fixadas que são pagas pelas LTN para 2025 estão em aproximadamente 12% ao ano. No entanto, os títulos são sujeitos, neste prazo, a um IR de 15% sobre o rendimento, ou seja, sua rentabilidade líquida será de 10,2% ao ano”, afirma o planejador financeiro.

Ou seja: se ele aplicar esse dinheiro, vai receber menos juros do que está pagando no financiamento. Logo, valeria a pena usar esse recurso para abater a dívida.

Por outro lado, o nosso leitor poderia fazer a portabilidade desse financiamento imobiliário para uma instituição que cobrasse juros menores. “As taxas de financiamento vêm baixando ao longo de 2018, sendo possível obter condições em torno de 9% ao ano. Claro que isso depende dos critérios de análise de crédito de cada instituição”, explica Marcelo. Aí sim, com essa taxa menor, pode ser mais interessante manter o financiamento do que fazer a amortização.

 

Espero ter ajudado!

Grande abraço,

Equipe Letras & Lucros

 

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