Olá! Vocês poderiam me ajudar? Minha tia está internada em uma casa de idosos e precisa pagar as mensalidades. Meu pai vendeu a casa dela e sobraram 200 mil reais que precisamos investir e usar os rendimentos para pagar a mensalidade. Como os juros da poupança não cobrem o valor gasto mensalmente, precisamos de um investimento com liquidez mensal que renda o máximo possível para que somados à aposentadoria dela consigamos pagar as mensalidades. Muito obrigada pela ajuda.

Oi, Daniela!

Olha, pra responder essa pergunta seria importante ter mais algumas informações, como a despesa mensal da sua tia, a idade dela e o valor da aposentadoria. Mas, com o que você mandou pra gente já conseguimos ter uma ideia de onde você poderia investir pra poder pagar as despesas da sua tia. O José Faria Júnior, planejador financeiro certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros) ajudou a gente a fazer as contas.

Você comentou que os juros da poupança não são suficientes para pagar a mensalidade da casa de idosos. Só aí existem dois problemas: você teria que tirar do investimento – todo mês – mais do que os juros  e isso faria o valor total cair mês a mês; e esse montante sofreria os efeitos da inflação, que corrói o dinheiro ao longo do tempo. Resultado: em alguns anos ficaria muito mais difícil manter as despesas da sua tia.

Hoje, a taxa meta Selic está em 6,5%. É o menor valor desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. “Dessa forma, não há muitas alternativas mais rentáveis e ‘sem risco’. Para um retorno maior, devemos optar por investimentos mais arriscados e, por isso mesmo, devemos ter um horizonte de tempo longo e sem se preocupar com liquidez”, explica o especialista.

Mas a gente sabe que esse não é o seu caso, Daniela. Você precisa ter liquidez. Isto é: esse investimento tem que virar caixa, virar dinheiro quando você precisar. Diante disso, o planejador financeiro dá a seguinte orientação:

“Em resumo, o dinheiro deve ser aplicado de forma conservadora e com liquidez. Uma alternativa para o montante aplicado pode ser a seguinte:

1-      Separar 20% (R$40 mil) para uma reserva de emergência porque você pode ter uma despesa extra com a sua tia e precisará ter um valor disponível para isso;

2-      Utilizar 80% (R$160 mil) para cobrir as despesas e fazer um plano de resgate mensal viável por um longo período de tempo e que leve em consideração o efeito da inflação”.

Ele ainda sugere alguns investimentos. Por exemplo: os R$ 40 mil da reserva de emergência, você pode aplicar em Tesouro Selic, que tem custo obrigatório de custódia de 0,30% ao ano, e/ou fundo de renda fixa pós-fixado com taxa de administração de até 0,30% ao ano.

E você tem que ficar ligada, Daniela, algumas corretoras cobram taxas em cima dos depósitos, mas muitas não fazem mais isso. No site do Tesouro Nacional, você consegue ver as corretoras que não cobram essa taxa extra.  

Já para o restante do dinheiro (R$ 160.000,00), o planejador financeiro sugere separar R$ 70 mil reais e aplicar também no Tesouro. “Assim, esses R$70 mil vão gerar uma renda mensal de R$1.000,00 corrigida pela inflação por 6 anos. Os outros R$90 mil podemos aplicar no título do Tesouro Direto Tesouro IPCA+ 2024 que paga hoje taxa de juros de 5,60% ao ano mais inflação. É muito importante comentar que este valor não deverá ser utilizado antes de 6 anos, que é o prazo de duração deste título. Alerto que um eventual resgate antecipado (antes de 15 de agosto de 2024) poderá gerar perda”, avalia José Faria Júnior.

Aí em agosto de 2024, você pode resgatar os R$ 90 mil mais os juros e aplicar no Tesouro Selic. “Esse dinheiro irá durar por 10 anos. De novo, após 16 anos restará apenas a reserva de emergência, se ainda não foi utilizada. É importante a família refletir sobre este exercício e caso julgue a quantia mensal sugerida como insuficiente, deve-se analisar o rateio do restante da despesa com os parentes ou arriscar subir a retirada mensal, mas isso vai comprometer o tempo de duração da mesma, estimado em 16 anos. Não há fórmulas mágicas”, orienta o especialista.

É, Daniela, nessa hora não tem jeito: a família toda precisa se reunir pra fazer as contas e encontrar uma solução. Conte com a equipe do Letras & Lucros para isso. Tudo de bom pra vocês!

CONTINUAR LENDO