Bom dia! Gostaria de saber se as aplicações do CDB e da poupança são juros simples ou compostos.

Oi, Edimar!

Obrigada por mandar a sua dúvida pra gente.

É o seguinte: tanto o CDB quanto a poupança usam juros compostos. Mas, vamos explicar para o leitor do Letras & Lucros a diferença entre as duas modalidades. Nos juros simples, a base de cálculo vai ser sempre a mesma. Então, vamos supor que você aplique R$ 10.000,00 a uma taxa de 1% ao mês – juros simples. Todo mês você vai receber de juros o mesmo valor: R$ 100. Em 12 meses, você ter R$ 11.200,00.

Já se for uma aplicação com juros compostos, que é a imensa maioria das transações no Brasil, de empréstimos inclusive, o valor dos juros de cada mês é incorporado ao montante e vira a base de cálculo para os juros do mês seguinte. Então, voltando ao nosso exemplo: aplicação de R$ 10.000,00 com juros compostos de 1% ao mês. No primeiro mês, você recebe R$ 100,00 de juros e o montante passa a ser R$ 10.100,00. No segundo mês, os juros vão para R$ 101,00 (1% de 10.100). No terceiro mês, os juros pulam pra R$ 102,01 (1% de 10.201). E assim por diante.

Perceba que o valor cresce muito mais rápido com os juros compostos, que são os juros sobre juros. No caso de um investimento, isso é ótimo porque você vai receber cada vez mais. No caso de uma dívida, isso é muito perigoso porque você vai pagar cada vez mais.

 

Mas, afinal… Tem diferença entre os juros compostos da poupança e do CDB?

Pois bem. Vamos entender como funcionam os juros no CDB e na poupança. O especialista em finanças pessoais da corretora Modalmais, Conrado Navarro, explica que embora os dois investimentos tenham juros compostos há diferenças entre eles. “A poupança tem o conceito de aniversário, então pra ter o rendimento, tem que esperar a data de aniversário da poupança. Se o investidor investiu na poupança no dia 10 do mês, por exemplo, esse dinheiro só vai render no dia 10 pro dia 11 do mês seguinte. Aí rende o mês todo, de uma vez, na data do aniversário, com juros compostos. Já em um CDB, você tem a rentabilidade por dia útil”, afirma.

Vale lembrar que se você optar por um CDB precisa ficar atento ao prazo. “Tanto no CDB com liquidez diária quanto no que tem um período mais longo, os juros vão ser apurados em cada dia útil. Mas, quando ele tem um prazo determinado, o cliente não consegue resgatar esse dinheiro antes do fim desse ‘período de carência’. Não tem liquidez”, explica Conrado.

Se você precisar de liquidez, é melhor optar pelo Tesouro Direto – que também usa os juros compostos – ou escolher algum fundo com liquidez diária e baixa taxa de administração. “Até 0,5% ao ano é uma taxa boa, considerando um fundo que tenha uma estratégia inteligente. Você tem os fundos tradicionais de renda fixa que são muito conservadores e que geralmente tem uma taxa acima de 0,5% a.a. e aí a sua rentabilidade no final das contas vai ser muito ruim perto de outros produtos”, avalia o especialista.

E, claro, aquela diquinha básica que a gente dá sempre no Letras & Lucros tá valendo: veja, antes de fazer a aplicação, qual é o seu objetivo. Se você não for precisar da grana logo, vale a pena escolher um CDB com prazo definido, em vez de um com liquidez diária. De um modo geral, os que têm liquidez diária pagam um valor bem próximo à taxa Selic, ao que passo que um CDB com um prazo mais longo, cinco anos, por exemplo, pode pagar 120% da Selic.

 

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