Bom dia, Mara! Antes de tudo, gostaria de parabenizá-la pelo merecido sucesso do Letras e Lucros! Tenho 28 anos e sou trabalhador autônomo (EIRELI). Recebo R$ 6.300,00 líquidos por mês. Trabalhei com carteira assinada por apenas 3 anos, não tenho saldo no FGTS porque já utilizei para a compra de um imóvel. Hoje moro de aluguel porque o imóvel que comprei teve problemas com a construtora e não foi finalizado. Tenho um processo de distrato há quase 1 ano referente a esta obra. Meu investimento total neste imóvel foi de R$ 50.000,00 e não sei se vou conseguir recuperar. Tenho reservas em Tesouro Selic no total de R$ 6.500,00 e tenho capacidade financeira de poupar cerca de R$ 2.000,00/mês. Minhas reservas estão baixas pois nos últimos anos não tenho sido dedicado às minhas poupanças e gastei mais do que deveria. Hoje estou me esforçando para investir, pelo menos, 30% da minha receita mensal. A minha dúvida é: devo procurar um meio de fazer aportes mensais ao INSS ou aproveitar o fato de ser autônomo e investir em outro serviço (Previdência Privada, Seguros, etc)? Se a melhor resposta for "fugir" do INSS, quais produtos eu deveria pesquisar para investir? Obrigado!

Oi, Bruno!

Obrigada por acompanhar a gente no Letras & Lucros! Que bom que você tomou a decisão de voltar a poupar. Isso vai ser muito importante para o seu futuro!

Antes de responder a sua pergunta, vou explicar pro nosso leitor o que é um EIRELI. A sigla significa Empresa Individual de Responsabilidade Limitada. É uma categoria empresarial que permite a constituição de uma empresa com apenas um sócio: o proprietário empresário.

O primeiro ponto que o planejador financeiro Jailon Giacomelli, certificado pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros – destaca é que o titular de uma EIRELI, tem, necessariamente, que contribuir com a Previdência Social. O pagamento de remuneração ao empreendedor individual, a título de pró-labore, de pelo menos um salário mínimo é obrigatório e, assim, é obrigatório também contribuir com o INSS.


Para identificar o valor que você vem pagando como pró-labore na sua EIRELI e também conhecer todo seu histórico de contribuições no INSS, basta criar um acesso no site “Meu INSS” e conferir seu extrato de contribuições.

“Minha principal recomendação é que você tenha um objetivo bem definido para viver de renda no futuro, antes de decidir o que fazer com o INSS. Para isso, é fundamental saber qual a renda desejada e com quantos anos você pretende se aposentar”, orienta Jailon.

Você está hoje com 28 anos e já é hora de pensar na aposentadoria mesmo. Pra dar as orientações, o planejador financeiro fez algumas suposições –


Vamos considerar que:

–  atualmente que você gaste em torno de R$ 4.300 por mês (renda líquida = R$ 6.300 e capacidade de poupança = R$ 2.000);
– você pretenda manter esse padrão de despesas na aposentadoria;
– você pretenda se aposentar (ou não depender mais da sua renda de trabalho pra viver) a partir dos 65, ou seja, daqui a 37 anos; (para nossos cálculos, sua expectativa de vida é de 95 anos de idade)
– hoje você recolha o pró-labore sobre 1 salário mínimo;

Você conseguirá um rendimento real (acima da inflação) de 3,30% ao ano em seus investimentos (atualmente essa taxa real equivale a aproximadamente 120% do CDI);

Provavelmente, o regime tributário da sua EIRELI é o simples nacional, ou seja, o custo total de INSS equivale a 11% sobre o salário de contribuição, pois os 20% de contribuição patronal (que são responsabilidade da empresa) já estão contemplados na sua alíquota de imposto do simples nacional.


Diante de tudo isso, você tem duas opções. A primeira – em relação ao INSS – é manter o pró-labore sobre um salário mínimo. E em relação a investimentos, aplicar R$ 2.000, durante 37 anos em um investimento que renda uma taxa real (descontada a inflação)  de 3,30% ao ano.

O planejador financeiro Jailon Giacomelli fez as contas e percebeu que neste primeiro cenário, com o INSS você teria uma renda mensal vitalícia de R$ 950 e teria acumulado em investimentos R$ 1.690.000,00 em aplicações, o que geraria uma renda mensal de R$ 7.400,00 dos 65 aos 95 anos. Somando as duas rendas você teria, todo mês, R$ 8.350,00.

Mas há ainda uma segunda opção. Em relação ao  INSS, você poderia aumentar o pró-labore para o teto. Nesse caso, você teria um aumento de custo mensal de R$ 516,10 com a contribuição para o INSS (atualmente seu custo é de R$ 104,94 = 11% sobre o salário mínimo e passaria a ser R$ 621,04 = 11% sobre o teto do INSS);

Sobrariam R$ 1.483,90 para você investir todo mês (R$ 2.000 menos os R$ 516,10 do INSS). Vamos supor que você aplicasse esse valor mensal durante 37 anos, com uma taxa real de 3,3% ao ano (descontada a inflação).


Resultado esperado dessa segunda opção:
–  INSS = teria uma renda mensal vitalícia de R$ 4.500 (importante: esta é uma mera estimativa para esta simulação, para entender a viabilidade deste cenário seria preciso uma análise detalhada do seu INSS);

– Investimentos: teria acumulado um valor de R$ 1.250.000 em aplicações, que geraria uma renda mensal de R$ 5.500 dos 65 aos 95 anos;
– Renda mensal total (INSS + investimentos) = R$ 10.000


Conclusão
Valeria a pena aumentar seu pró-labore para o teto do INSS (aumento de custo mensal com INSS = R$ 516,10) e investir mensalmente os R$ 1.483,90 restantes.

E onde você poderia aplicar? O planejador financeiro dá mais dicas: “Se você tem disciplina: sugiro uma carteira de investimentos acompanhada gestor de investimentos financeiros especializado. Caso você não tenha disciplina: acumule uma reserva para emergências de R$ 25.800 (equivalente a 6 meses de suas despesas) para imprevistos e depois disso aplique mensalmente os R$ 1.483,90 em um plano de previdência privada com débito em conta corrente”.  

Nesse caso, é bom contar com a ajuda de um profissional pra escolher o melhor plano de previdência privada: PGBL ou VGBL. E fique atento também à taxa de administração! 

 

 

 

CONTINUAR LENDO