Boa tarde, Mara! Há 4 anos comecei a acompanhar seus comentários na CBN e na GloboNews. Hoje tenho aplicações no Tesouro Direto, CDBs e Fundos DI de banco. Pretendo resgatar R$ 20.000,00 em um Fundo DI com taxa de administração de 1% para diversificar a carteira. Tenho lido sobre Fundos Imobiliários, mas não sei como identificar qual o fundo seria mais adequado ao meu perfil. Como e onde posso pesquisar os tipos de Fundos Imobiliários e suas características? Obrigada!

Oi, Solange!

No Fundo DI você está pagando taxa de administração pra participar de um fundo que compra ativos que você pode comprar diretamente, sem pagar essas taxas. A sua taxa de administração, pelo que você falou, é de 1%. Então, uma sugestão é você resgatar esses 20 mil reais e aplicar diretamente em CDBs de bancos menores, que pagam mais de 110%, 120% do CDI. Fique atenta só ao limite garantido de 250 mil reais pelo FGC, especialmente porque você já tem CDBs. E esse limite é por CPF.

Mas você quer informações sobre fundos imobiliários. Então vamos lá. Fundos de investimento imobiliários (FII) investem em imóveis físicos ou em ativos do setor. Os especialistas chamam de fundos de tijolo os que investem em imóveis de verdade, como prédios de escritórios, shoppings ou galpões, por exemplo. Já os fundos de papel colocam dinheiro em ativos de renda fixa do mercado imobiliário como o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e a LCI (Letras de Crédito Imobiliário). Existem ainda os fundos híbridos que misturam na carteira imóveis físicos com títulos ou até mesmo cotas de outros fundos imobiliários.

O patrimônio total desse fundo é dividido em cotas de valor igual. O investidor vira um cotista e também um sócio. Os recursos arrecadados com a venda dessas cotas poderão ser usados para comprar imóveis rurais ou urbanos, prontos ou em construção, ou ainda outros ativos relacionados ao mercado imobiliário.

Como escolher um fundo imobiliário

Antes de escolher um FII, é muito importante ler o prospecto – que é aquele documento que explica tudo: a política de investimento do fundo, as taxas de administração, os riscos do investimento etc.

O fundo pode ganhar dinheiro com o aluguel dos imóveis, com o rendimento de outros ativos ou ainda com a diferença entre o preço de compra e venda. Esse lucro é distribuído periodicamente aos cotistas.

Além disso, as cotas podem ser negociadas em Bolsa. Isso significa que o investidor lucra também se ele vender essa cota por um valor mais alto do que comprou. Mas note que estamos falando de renda variável e, portanto, com riscos maiores por causa da volatilidade.

Aliás, em 2018, os fundos imobiliários oscilaram bastante. No começo do ano, havia uma perspectiva de retomada da economia e isso fez com que os fundos valorizassem. Mas, depois, essa expectativa perdeu fôlego novamente e esse vaivém também se refletiu também nos fundos. “A gente teve um evento não recorrente da greve dos caminhoneiros em maio com aquela paralisação de 11 dias. Então isso também abalou bastante o consenso de retomada que existia desde o início do ano”, avalia Pedro Guilherme Lima, analista da Ativa Investimentos.

É uma boa hora para investir em fundos imobiliários?

Depende muito do seu apetite pelo risco. Ou seja: do seu perfil de investir. As eleições estão se aproximando e a volatilidade do mercado deve aumentar. “É um momento meio complicado para investir em fundos imobiliários, a não ser que o investidor esteja disposto a aplicar esse dinheiro e esquecer lá por um tempo” afirma Betty Grobman, professora de finanças e sócia da BSG Duoprata.

Então, Solange, você precisa avaliar por quanto tempo você vai ter fôlego pra segurar esse investimento. Se for algo a curto prazo talvez não seja a melhor opção.

 

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