Se esse é o seu caso, não será o primeiro, nem o último. Na verdade, a intensa convivência durante longas jornadas acaba gerando o que costumo chamar de paixão geográfica: as pessoas se apaixonam por quem está por perto. Boa parte das empresas preocupadas com compliance cria regras rígidas apenas para uniões oficiais, a fim de evitar que haja uma subordinação direta que possa levar a favorecimentos. Fora isso, cada um decide o que fazer da sua vida adulta, desde que os limites do bom senso não sejam ultrapassados – e é justamente aí que mora o perigo.

Já testemunhei situações de todo tipo, que poderiam inclusive ser chamadas de “causos”, como as histórias contadas em rodas de conversa. Por exemplo, a da estagiária que, no fim de uma reunião da equipe, explodiu em lágrimas dizendo que não conseguia se concentrar porque seu relacionamento com o chefe se transformara em sua a única preocupação (e razão de viver, diga-se de passagem). Cai o pano, como diria um amigo meu… Outra: uma ótima profissional decidiu envolver-se com o bonitão da firma, embora tivesse dúvidas sobre seu caráter. Como a química entre eles funcionava às mil maravilhas, manteve o romance por alguns meses, até tomar conhecimento que todo tipo de detalhe íntimo era compartilhado com a ala masculina da empresa.

Nas políticas contra o assédio sexual e moral, ainda não está claro o que fazer quando uma relação consensual extrapola os limites do quarto e invade o escritório, causando danos a um ou aos dois envolvidos. Embora discrição seja a palavra mais usada no início do caso, normalmente ela não dura muito tempo. Assumir o namoro também pode dar margem a comentários sobre tratamento diferenciado, se um dos dois tiver um cargo mais alto. E brigas costumam contaminar o clima, às vezes fazendo cair a produtividade do time todo. De acordo com a legislação, proibir relacionamentos amorosos pode caracterizar ato discriminatório. Entretanto, a situação tende a se complicar para o casal se houver desrespeito às regras internas da empresa – por exemplo, demonstrações de carinho explícitas – que interfiram na rotina do grupo.

Considerando que o ambiente de trabalho reúne pessoas com um maior grau de afinidade, é quase certo que aproximações acontecerão ao longo do tempo. Quando o relacionamento fica mais sério, talvez valha a pena  avisar à chefia (espera-se que ela seja compreensiva), porque ser transparente ajuda a evitar constrangimentos. No entanto, o mais importante vale para qualquer situação: não importa onde estiver, escolha bem o parceiro ou parceira.

 

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