Lançado em outubro do ano passado, já está disponível em português o livro “Mitos da liderança”, cujo autor, Jo Owen, é uma espécie de guru da gestão. Sua pesquisa se baseou em mais de 2 mil entrevistas com gestores de todos os níveis de organizações, além de estudos que incluem de sociedades tribais à primeira linha de burocratas franceses. Para início de conversa, o primeiro mito é acreditarmos que sabemos o que é liderança: “buscar uma definição é como procurar sinais de fumaça no nevoeiro. Achamos que sabemos do que se trata, mas é como tentar agarrar a neblina”, diz na obra. E faz uma provocação: “todos lembramos de nomes como Winston Churchill, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá. Mas e Stalin, ou Mao Tse-tung? Foram líderes? Salvaram seus países ou são assassinos?”. Por isso, enfatiza que o primeiro cuidado é traçar os limites do que é um bom líder: se imaginarmos que se trata apenas de eficiência, muitos ditadores estarão nesse grupo.

Quando colocamos o tema em discussão, características bem contraditórias vão aparecer como indispensáveis para um líder: ambicioso e humilde; visionário e prático; e por aí vai. “Num dia bom, podemos achar que temos todos esses talentos. Na maior parte do tempo, temos que reconhecer que isso é impossível”, ironiza. Por isso, propõe que, em vez de nos debruçarmos sobre a personalidade, devemos julgar a liderança pelos resultados alcançados. Na opinião de Owen, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, foi quem mais próximo chegou de uma visão consistente: “é alguém que conduz as pessoas aonde elas não iriam sozinhas”.

Há anos ele prega que não se deve acreditar em gurus com fórmulas prontas. Quando lançou, anos atrás, o livro “The death of modern management”, já dizia que, além do QI (quociente intelectual) e do QE (quociente emocional, mais conhecido como inteligência emocional), havia o QP (quociente político), a habilidade de fazer as coisas acontecerem por intermédio de outras pessoas que não controlamos. No seu livro, Owen lista mais de 50 mitos que envolvem o tema: de que líderes criam times excepcionais; de que se comunicam muito bem e motivam seus seguidores; e até de que sociopatas acabam sendo bem-sucedidos em postos de comando. Na verdade, sua obra não pretende demolir todas essas premissas, e sim levar as pessoas a captar as sutilezas. Sobre ser autêntico e transparente, por exemplo, faz a ressalva: “é importante que líderes sejam confiáveis, mas há ocasiões nas quais ser absolutamente honesto sobre seus sentimentos pode ser destrutivo. Nessas horas, é preciso projetar o estilo que se deseja que o time siga”. Afinal, não há soluções simples quando se trata de lidar com gente – e errar também faz parte do processo.

 

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