Na semana passada, assisti a um webinar cujo título era sugestivo: “Esteja preparado para perder seu emprego se não fizer essas três coisas este ano”. O palestrante era Graeme Codrington, consultor conhecido internacionalmente e especializado em tendências – um futurólogo. Verdade que ele estava muito interessado em vender os cursos on-line de sua empresa, The Future of Work Academy, mas os conselhos são bons e fico feliz de esta coluna já ter tratado do tema em mais de uma ocasião. Segundo Codrington, as três prioridades que todos devem ter em mente são: entender o que está mudando; desenvolver as habilidades para acompanhar as mudanças; e fazer com que esse estado de espírito de aprendizado contínuo se transforme num hábito diário: não passe um dia sem ler um artigo, descobrir algo novo.

Ele lembrou que o início da sua carreira coincidiu com o começo do uso maciço dos computadores. Disse que ficava angustiado de ver que muitos de seus superiores não entendiam o alcance dessa revolução. Resultado: foram varridos do mapa. Por isso, a segunda prioridade é, na verdade, o cerne da questão: as habilidades que devem ser desenvolvidas para acompanhar o ritmo vertiginoso do mundo contemporâneo. Vamos à lista:

  • Inteligência emocional: buscar o tempo todo ser a melhor versão de si mesmo
  • Inteligência social: prezar a diversidade e saber conectar-se com as outras pessoas
  • Ficar de olho no horizonte: estar sempre ligado no que está por vir, exercitando hipóteses: “e se?”
  • Inteligência adaptativa: buscar soluções diante de situações complexas sem se desesperar
  • Criatividade e intuição: ambas estão na base da inovação
  • Curiosidade e storytelling: duas faces da mesma moeda. Quem é curioso – não há desculpa para não experimentar! – aprende coisas novas e deve desenvolver a habilidade de disponibilizar essas informações de forma acessível
  • Iniciativa e empreendedorismo: mesmo que não seja dono da empresa, aja dessa forma, aceitando riscos e pensando em oportunidades de expansão
  • Domínio da tecnologia: para ser mais conectado, produtivo e não se surpreender com as novidades.

Codrington aconselha: ninguém precisa se desesperar porque a lista é longa, o importante é começar a investir em si mesmo para ter mais domínio nessas áreas. Ele também citou o livro “Tools of titans” (“Ferramentas dos titãs”), lançado em 2016, para mostrar que o aprendizado contínuo é um traço comum aos grandes líderes. A obra foi escrita por Tim Ferriss, consultor de empresas como Facebook, Uber e Alibaba e listado como uma das pessoas mais inovadoras pela revista “Fast Company”. O autor prega que uma carreira de sucesso não pode ser dissociada de uma vida equilibrada, baseada num tripé composto por saúde, riqueza (não apenas no aspecto financeiro, mas também no que diz respeito a ter tempo para si mesmo, para a família e os amigos) e sabedoria. Ferriss se baseou em cerca de 200 entrevistas realizadas em seu programa, o “The Tim Ferriss Show”, podcast com milhões de downloads. Características que boa parte desses líderes têm em comum: mais de 80% praticam alguma forma de meditação diariamente e todos conseguiram transformar uma fraqueza em vantagem competitiva. O conselho de Arnold Schwarzenegger, que assina o prefácio, é cristalino: “A pior coisa que você pode fazer é achar que já sabe o suficiente. Nunca pare de aprender. Nunca”.

 

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