Todo mundo sonha com as férias: não ter compromissos, dormir até tarde, conhecer lugares diferentes, passar mais tempo com os filhos. Não há dúvida sobre seus efeitos benéficos, mas o problema é o tempo de  duração dessa sensação de estar revigorado. É o que mostra a pesquisa “Trabalho e bem-estar”, encomendada pela American Psychological Association (APA), nos Estados Unidos: para 24% dos entrevistados, a energia positiva desaparece imediatamente com a volta ao trabalho. Já 40% afirmam que conseguem manter esse bem-estar por alguns dias…

Para o psicólogo David W. Ballard, que coordena um centro para a excelência organizacional ligado à APA, as pessoas não deveriam colocar todas as suas expectativas no período de férias: “os empregadores também não deveriam apostar nisso para recuperar os funcionários de um ambiente estressante. A questão só é resolvida quando os fatores que desencadeiam esse estresse são endereçados e resolvidos. Do contrário, o benefício do descanso vai se dissipar cada vez mais rapidamente. É ruim para o empregado e para os negócios”.

Ao todo foram feitas entrevistas on-line com 1.512 pessoas e, no grupo, havia quem trabalhasse em tempo integral, parcial ou por conta própria. A maioria dos que participaram da pesquisa não nega os efeitos positivos que as férias trazem: 66% disseram ter mais energia e 57% afirmaram que se sentiam mais motivados. Entretanto, 21% contaram que ficavam tensos e estressados mesmo durante as férias e 42% chegavam ao ponto de temer a volta ao batente. Para Ballard, os veículos de comunicação são pródigos em dicas sobre o que fazer no lazer, embora o ambiente no trabalho seja fundamental para o bem-estar dos indivíduos.

Quase metade dos entrevistados citou o salário baixo como fonte significativa de estresse. Falta de oportunidades de crescimento e longas jornadas também surgiram como fatores negativos. Na opinião do especialista, uma cultura de incentivo ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional não criaria esse mundo partido que gera tanto esgotamento. “Estresse crônico, falta de apoio psicológico, o sentimento de estar sobrecarregado e sem suporte são questões do dia a dia para uma grande parcela de trabalhadores, mas não tem que ser assim. Os estudos mostram que quando medidas são adotadas para ajudar os empregados, o negócio se beneficia”, resumiu o psicólogo.

 

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