No campo da administração, esse é o tipo de discussão que sempre dividiu opiniões: será que o empreendedorismo é uma espécie de dom natural do indivíduo ou pode ser ensinado? Para responder a esta questão, o Banco Mundial e as universidades de Cingapura e de Leuphana, na Alemanha, se juntaram para fazer uma pesquisa que durou dois anos e meio. Em vez de buscar jovens empreendedores do rico Vale do Silício, os pesquisadores optaram por monitorar 1.500 pessoas com pequenos negócios em Togo, país da África Oriental. Em média, cada uma tinha três empregados e lucro que não passava de 180 dólares mensais (menos de 600 reais).

 

Foram formados três grupos, de forma aleatória, cada um com 500 participantes. O primeiro não recebeu nenhum tipo de treinamento, ou seja, continuou tocando os negócios como sempre. O segundo teve aulas convencionais de administração, que incluíam marketing, contabilidade e gerenciamento financeiro, além de dicas sobre como formalizar a empresa. Por fim, ao terceiro foi oferecida uma abordagem psicológica para estimular competências pessoais: coisas como estabelecer objetivos, lidar com feedback e criar resiliência para superar obstáculos.

 

O experimento começou em 2014 e os grupos foram acompanhados até 2016. O resultado foi divulgado na revista “Science” e publicado na última edição da revista britânica “The economist”. Quem recebeu treinamento psicológico teve em média um incremento de 17% nas vendas e de 30% nos lucros, em comparação com o grupo de controle, que não teve nenhuma ajuda. Esses empreendedores também inovaram mais e criaram novos produtos, enquanto os que tentaram aplicar as fórmulas prontas dos manuais de administração não obtiveram qualquer incremento em sua atividade. O que podemos aprender com esse experimento: oxigenar hábitos mentais pode ser extremamente proveitoso para os negócios, ainda mais numa era de tantas mudanças e rupturas dos modelos tradicionais.

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