As criptomoedas ganharam um importante aliado. Na última, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, publicou um post no blog do FMI, defendendo uma agenda reguladora imparcial, que proteja contra os riscos sem desestimular a inovação do Bitcoin e de outras moedas virtuais.

No post  ‘Uma abordagem imparcial para os ativos criptográficos’, Lagarde afirma que o avanço do Bitcoin e de outras moedas digitais pode tornar o sistema financeiro global mais seguro e que há esperança em um mundo onde as empresas que usam moedas digitais possam coexistir ao lado dos bancos tradicionais.

Pela estimativa do FMI há mais de 1600 diferentes criptomoedas no mundo, mas nem todas vão sobreviver. Na avaliação de Lagarde, as sobreviventes podem ter um impacto significativo na maneira como economizamos, investimos e pagamos nossas contas. É por isso, segundo ela, que os formuladores de políticas devem manter a mente aberta e trabalhar em prol de uma estrutura regulatória imparcial que minimize os riscos e, ao mesmo tempo, permita que o processo criativo dê frutos.

Entre os benefícios trazidos pelos criptoativos, a diretora-chefe do FMI destacou a possibilidade de realizar transações financeiras mais rápidas e baratas. Ela cita, por exemplo, que a transferência de dinheiro entre países por meio da tecnologia das criptomoedas garante que a operação seja concluída em algumas horas. Atualmente, mandar dinheiro para fora de um país pode demorar mais de dois dias.

Interessante observar a mudança de postura da líder do FMI. Ela mesma lembra que há um mês publicou um texto olhando para o lado sombrio dos ativos de criptografia, incluindo seu uso potencial para lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Para Fernando Furlan, presidente da recém-criada Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB), a mudança de postura da diretora-chefe do FMI deve ter sido influenciada pela reunião dos países do G-20, que demonstrou uma postura mais simpática às criptomoedas e à blockchain. “Houve um consenso de deixar o mercado evoluir sem proibições”, comenta. Ele cita como exemplo países como Japão, Canadá e Hong Khong que estão criando uma sandbox regulatória, como um cercadinho para que os negócios possam se desenvolver sem matar esse mercado.

Furlan afirma que a comunidade financeira internacional já passou do momento da desconfiança e lembra, assim como Lagarde, como os bancos estão se movimentado para adotar as tecnologias similares à blockchain para transações criando, por exemplo, uma evolução da câmara de compensação bancária.

Antes que os ativos criptográficos possam transformar a atividade financeira de maneira significativa e duradoura, Christine Lagarde lembra que eles devem ganhar a confiança e o apoio de consumidores e autoridades. Um passo inicial importante, segundo ela, será chegar a um consenso dentro da comunidade reguladora global sobre o papel que os recursos criptográficos devem desempenhar. Como os recursos criptográficos não conhecem fronteiras, a cooperação internacional será essencial.

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O FMI do lado das criptomoedas
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