Toda vez que alguém pensa numa entrevista de emprego, imagina uma situação de desigualdade: de um lado, o entrevistador com o poder da canetada que vai selar o destino do candidato; do outro, o distinto cidadão que tenta controlar o suor, a respiração, a fala e o coração acelerados e atender a todos os requisitos da vaga. Portanto, normalmente não passa pela cabeça de ninguém que quem postula aquela posição tenha algo a responder quando a conversa termina com frase: “você tem alguma pergunta a fazer?”. Bem, a consulta pode ser protocolar, caso a empresa seja antiquada o bastante para seguir a máxima “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Mas também pode se tratar de uma isca do recrutador para mapear atributos como autoconhecimento ou autoconfiança do indivíduo, cada vez mais valorizados no mundo corporativo, além servir para medir o potencial do comprometimento da pessoa.

Um candidato que saiba formular questões sobre a empresa na verdade está valorizando a companhia: quer saber se as expectativas dele são compatíveis com as da organização; pretende mapear sua trajetória profissional naquele lugar; dá sinais claros do futuro engajamento que fará diferença se for contratado. Por isso, não se sinta acuado ou ameaçado e verbalize seu interesse. Para Jeff Haden, autor do recém-lançado “The motivation myth: how high achievers really set themselves up to win” (em tradução livre, “O mito da motivação: como grandes realizadores realmente se programam para vencer”), a primeira pergunta a ser feita é: o que esperam que eu realize nos primeiros 60 ou 90 dias? Isso demonstra que o indivíduo quer chegar já jogando e não vai necessitar de meses para se ambientar.

Outra questão que vai impressionar seu interlocutor é querer saber quais são os atributos mais valorizados entre seus colaboradores de ponta. Não se trata de uma pergunta para se exibir, e sim para avaliar se você e a empresa foram feitos um para o outro. A resposta pode ser criatividade, “pensar fora da caixa”, características que não são seu forte. Ou estar disponível para enfrentar longas jornadas e não ter hora para ir para casa – quando você acabou de se casar ou ter filhos… Vivemos uma era de grandes mudanças que ocorrem rapidamente, portanto não se acanhe de querer saber como a empresa pretende lidar com as ameaças que se avizinham no horizonte. Cada uma tem as suas: novas tecnologias, competidores ingressando no mercado, tendências econômicas impactantes e por aí vai. Afinal, se você quer fazer parte desse time, não quer que ele tenha vida curta, certo?

CONTINUAR LENDO
1 0