Na semana passada, falei da resiliência islandesa. Agora é a vez de tratar da Nova Zelândia, que vem se transformando num estimulante e criativo laboratório cujo foco é como cuidar melhor de gente. Para começar, a primeira-ministra do país, Jacinta Ardern, voltou ao trabalho na quinta-feira, depois de seis semanas de licença. Engana-se quem pensa que estava doente – na verdade, Jacinta, de 38 anos, havia dado à luz sua primeira filha, a pequena Neve. Por enquanto, o pai, o apresentador de TV Clarke Gayford, cuidará do bebê, mas o Parlamento já se comprometeu a garantir um ambiente acolhedor para que Neve possa eventualmente acompanhar a mãe em debates. Antes dela, somente Benazir Bhutto, então primeira-ministra paquistanesa, havia sido mãe durante o mandato.

Logo após o nascimento da filha, Jacinda havia declarado que esperava que “novidades como essa um dia deixem de chamar atenção” e que, no futuro, meninos e meninas pudessem fazer escolhas sobre carreira e família baseadas apenas em seus desejos. O país, com 4.5 milhões de habitantes, está trabalhando para isso. Em julho, o resultado de uma experiência realizada por uma empresa ganhou repercussão: durante os meses de março e abril, os empregados da Perpetual Guardian trabalharam quatro dias por semana, sem qualquer redução salarial, sendo que a jornada de oito horas de expediente não sofreu qualquer acréscimo.

A companhia, especializada em fundos fiduciários, seguros e testamentos, tem 240 colaboradores e a ação foi acompanhada por acadêmicos, que mediram o bem-estar resultante da iniciativa: 78% dos funcionários avaliaram que a mudança tinha possibilitado que equilibrassem vida pessoal e profissional. Em novembro, esse percentual era de 54%. Jarrod Haar, professor de gerenciamento de recursos humanos na Universidade de Auckland, constatou o aumento de engajamento e satisfação pessoal. Os empregados, que participaram de todo o planejamento, tinham se empenhado em criar soluções para manter a produtividade na jornada com menos um dia de trabalho. A qualidade de seu desempenho cresceu e o nível de estresse foi reduzido em cerca de 7%. Para o dono da companhia, Andrew Barnes, o próximo passo será tornar esse arranjo permanente: “se você pode ter pais passando mais tempo com seus filhos, como isso pode ser uma coisa ruim?”, disse aos jornais. Que surjam novos experimentos como esse!

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