Aos 83 mil pontos, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro de ações, já rende 127% do CDI, referência do mercado de renda fixa. Ou seja, 2018 mal começou e as ações já acumulam ganhos maiores do que a taxa anual de juro.

A taxa de juro traduz o custo de oportunidade. Ela mostra, basicamente, o quanto você deixa de ganhar na renda fixa – aplicação mais conservadora – ao buscar mercados com maior grau de risco. O custo de oportunidade no Brasil tem sido historicamente alto, em vista de suas elevadas taxas de juro; recordistas no ranking mundial

Já em 2018, a história parece ser outra. Com taxas de juro no Brasil bem mais baixas, há uma disposição maior, dos investidores, em se arriscar no mercado de ações. É o que temos visto. Não só de brasileiras, mas também de estrangeiros. Ainda mais porque, lá fora, as taxas de juro chegam a ser negativas quando descontada a inflação.

A manutenção da condenação do ex-presidente Lula pela oitava Turma do TRF-4 já era esperada pela maioria dos gestores de carteiras de ações. A dúvida residia apenas no placar da condenação. Alguns gestores mais cautelosos chegaram a montar operações de hedge (proteção) para o caso de uma condenação pelo placar de 2 a 1. Situação em que caberia a impetração de Embargos Infringentes, o que aumentaria as chances de Lula participar da próxima eleição à presidência da República. No entanto, o placar de 3 a zero afastou do horizonte as incertezas e o simples desmonte das operações de hedge já foi combustível suficiente para alimentar a alta de quarta-feira.

Muitos estrategistas ainda continuam esperando novas altas do Ibovespa. Mas, até quando? A expectativa é de que, até junho, a economia continue dando o tom nos negócios com ações.

São três os vetores econômicos que alimentam a alta:

1- Crescimento econômico. Com Lula ou sem Lula, com Temer ou sem Temer, haverá crescimento econômico em 2018. Restam apenas dúvidas quanto à intensidade dessa recuperação econômica.

2- Empresas mais ajustadas. Depois de três anos de recessão, só sobreviveu quem se mostrou mais eficiente. Ajustes operacionais e financeiros tiveram que ser feitos para cortar custos e reduzir dívidas.

3- E, claro, o custo de oportunidade.

E o risco político? Os estrategistas acreditam que ele só começará a predominar nas análises a 90 dias das eleições ou quando o Ibovespa já estiver entregando mais de 200% do CDI, se isto porventura vier a ocorrer. Mas, neste último caso, tanto gestores de fundos multimercados – que têm a missão de bater o CDI – quanto gestores de fundos de pensão – que têm o desafio de atingir as metas atuariais – já terão embolsado os lucros e terão entrado de férias.

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