O começo da primeira fase da Copa do Mundo deixou algumas lições para o ambiente corporativo. Para começar, impossível não falar de Cristiano Ronaldo. Aos 33 anos, ao fazer os três gols que levaram Portugal a empatar com a Espanha na primeira rodada do Grupo B, o atacante demonstrou o que o comentarista Tostão descreveu, no jornal Folha de S. Paulo, como “confiança sobrenatural”. O que o gênio de Cristiano Ronaldo nos ensina? Em primeiro lugar, que é temerário uma organização depender tão desesperadamente de uma única pessoa. No entanto, a empresa que tiver a sorte de contar com ativo tão valioso como esse tem que fazer o possível e o impossível para mantê-lo. Vou além: é preciso protegê-lo das regras que quase sempre cerceiam a criatividade.

Corta para a celebração do time da Islândia depois do empate contra a seleção argentina. Contra todos os prognósticos matemáticos elaborados por especialistas, não só deteve o adversário, como o desnorteou. O goleiro (e cineasta) Hannes Halldorsson, de 34 anos, foi o principal responsável pelo empate, com gosto de vitória, ao defender o pênalti cobrado por Lionel Messi. Halldorsson disse que fez a lição de casa, estudando as cobranças recentes de Messi. O técnico (e dentista) Heimir Hallgrimsson afirmou que, quando o oponente é uma equipe com mais qualidade, não se pode confiar no um contra um. Admitiu que o grupo tem limitações técnicas – o que se constatou na derrota para a Nigéria – e que uns precisam jogar mais para compensar os outros. “Para ser sincero, isso até diverte nossos jogadores”, declarou. Outra lição: o talento excepcional é raro, mas um bom maestro é capaz de aglutinar as habilidades de cada membro de forma que a soma de todos se torne uma força maior que vai além da aritmética.

Agora vamos à síndrome dos favoritos e campeões. Aturdida, a Alemanha perdeu de 1 a 0 para o México em sua partida de estreia. Depois de vencer um título mundial, jamais havia perdido na estreia da Copa seguinte. Já a seleção brasileira chegou ao Mundial da Rússia com uma campanha triunfante nas eliminatórias e derrapou na estreia ao empatar com a Suíça por 1 a 1. Era visível o nervosismo do time. No semblante carregado do técnico Tite, o peso da expectativa não realizada. Nos dois casos, a autoconfiança que naturalmente acompanha os vitoriosos voltou-se contra eles, desestruturando as equipes quando a pressão aumentou e um revés sabotou o roteiro previsto. As seleções deram a volta por cima nas partidas seguintes, mas é preciso contar com as dificuldades – até com uma eventual derrota – mesmo quando achamos que somos superiores aos demais.

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