A expressão geração floco de neve é outro empréstimo do inglês: trata-se de um neologismo usado para caracterizar os jovens adultos que parecem mais sensíveis e propensos a se ofender. Não há comprovação científica de que esse grupo é menos resistente ou resiliente; no entanto, como cada nova geração que se apresenta, tem suas características e sua entrada no mercado de trabalho provocará impactos em ambos os lados. Quem é “floco de neve” reage muito mal ao politicamente incorreto, o que é bom. Entretanto, pode se mostrar vulnerável ao lidar com pontos de vista discordantes, o que é ruim. O tempo dirá se esse grupo conseguirá melhorar o ambiente corporativo, ou se será tragado pela engrenagem.

O que estudiosos vêm comprovando é que o infantilismo é uma marca dos novos tempos: a entrada no mundo adulto tem sido vista como uma experiência quase desagradável, que deve ser postergada ao máximo. Elena Sabelnikova and Natalia Khmeleva, pesquisadoras da Higher School of Economics University, são autoras de um artigo, divulgado no fim do mês passado, que analisa as principais mudanças no curso de vida das pessoas, dos papéis sociais à educação, da identidade profissional ao casamento. As duas concluíram que a trajetória dos indivíduos está menos previsível, o que os leva a ter dificuldade de alcançar maturidade emocional, autocontrole e estabilidade nos relacionamentos.

Os “flocos de neve” estariam mergulhados nesse caldo cultural que molda seres infantilizados que culpam os outros quando algo dá errado. Seriam pessoas que se têm em alta conta, mas, contraditoriamente, demonstram baixa autoconfiança; apesar de exigirem muito da sociedade, são dadas à autoindulgência e não sabem cobrar foco e disciplina de si mesmas – em resumo, funcionam como crianças que gritam por ajuda quando algo dá errado. Não se pode dizer que são culpados pela situação, porque cresceram superprotegidos, com pais garantindo que a realidade era cor-de-rosa. Além disso, há tantas mudanças disruptivas ocorrendo no mercado de trabalho que fica complicado traçar planos para o futuro: será que a profissão que se aprendeu na universidade vai servir daqui a 15 ou 20 anos? Basta acompanhar o número de estudantes que, logo após a graduação, parte para mestrados e pós-graduações (e não sai de casa, nem arranja emprego). Eles vão precisar de mais tempo para buscar o autoconhecimento e seu caminho. Já há psicólogos, como os americanos Grace Craig e Don Baucum, que sugerem que o termo “adulto jovem” vá até os 40 anos: seria o kidult (kid+adult). O impacto mais estimulante pode vir da visão dessa geração de que o objetivo é ser feliz, e não bem-sucedido. Por essa o mundo corporativo não esperava.

 

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