Em vez de perseguir uma “cultura da felicidade”, as empresas deveriam criar oportunidades de valorização dos funcionários

Primeiro vieram as pesquisas de clima, que comprovaram, como não poderia deixar de ser, que havia muitos empregados de mal com a firma. Desde então, as áreas de recursos humanos passaram a se empenhar em promover a “cultura da felicidade”, como se todos devessem encarar o trabalho como se estivessem indo para um parque de diversões. Ok, posso estar exagerando, mas não muito. De acordo com reportagem recente da revista “Fast company”, há mais de mil “chies happiness officers” (isso mesmo, diretores-executivos de felicidade listados no LinkedIn.

Na teoria, empregados felizes são mais produtivos e, consequentemente, trazem mais lucro para a companhia, além de não quererem abandonar o barco na primeira oportunidade que surgir. Muitas empresas resolveram apostar em mimos para os funcionários, mas será que essa felicidade se compra com mesas de pingue-pongue, lanches grátis e sessões de massagem? Ao que tudo indica, as organizações não entenderam bem as expectativas de seus colaboradores.

Numa cultura corporativa que preza o bem-estar, não é uma academia de ginástica que conta, e sim um ambiente que valoriza os indivíduos, sem avareza de elogios. Em vez de ter gente ligada na tomada ininterruptamente, até sofrer uma síndrome de burnout, o objetivo é garantir equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com abertura e diálogo para flexibilização de horários e trabalho remoto. Mesmo que a recompensa pelos esforços não venha na forma de aumentos em cascata, a sensação de pertencimento, de ser relevante e fazer parte de um projeto se transforma em engajamento.

Da mesma forma que locais de trabalho podem contribuir para o bem-estar de uma pessoa, também podem deixá-la doente. Uma rotina massacrante, tarefas sem sentido, relacionamento ruim com os colegas e a chefia são os “vírus” mais conhecidos. Numa pesquisa realizada em 2013 pelo Instituto Gallup em 142 países, a proporção de trabalhadores engajados era apenas de 13%. Em outro levantamento, esse da “Harvard Business Review” e que entrevistou quase 20 mil empregados de diferentes setores, quatro fatores foram apontados para engajar a mão-de-obra: oportunidade de renovação e crescimento profissional; sentir-se valorizado, autonomia para realizar tarefas; e fazer algo que trouxesse o sentimento de propósito. O famoso escritor norte-americano Mark Twain, autor de “As aventuras de Tom Sawyer”, escreveu: “fique longe de gente que faça pouco de suas ambições. Isso é coisa de gente mesquinha, quem é grande faz com que você sinta que também pode chegar lá”.

CONTINUAR LENDO
1 0