Milena Faé e Bruna Holderbaun (foto) são formadas em moda. Bruna especializada em marketing e Milena em design de calçados.

E mesmo amando a moda, elas sempre estiveram conscientes dos aspectos negativos desse setor de atividade econômica: tendência ao consumismo, ao desperdício.

Juntando a consciência com a vontade de empreender elas decidiram criar juntas a Closet Detox, uma consultoria que ajuda as clientes a se vestirem bem, aproveitando melhor o que elas já têm dentro do guarda-roupa.

“As pessoas compram roupa não porque precisam, mas por impulso”, disse Bruna. Sua inspiração é a estilista inglesa, diva do punk, Vivianne Westwood e uma de suas frases mais famosas: “compre menos, escolha melhor”.

Desde que começaram a consultoria Closet Detox, em julho de 2015, elas já atenderam 60 pessoas. A mais nova tinha 22 anos, a mais velha 70. Cada uma tinha sua história, mas em geral estavam passando por momentos de transição na vida – primeiro filho, mudança de profissão, aposentadoria – e já não conseguiam se identificar com as peças de roupa do passado.

O trabalho das consultoras Bruna e Milena consiste em tirar umas horinhas visitando a cliente e revisando seu armário. Elas tiram peça por peça e fazem a cliente olhar para aquilo, resgatar o motivo porque comprou cada peça e como se sente sobre ela. O atendimento inclui falar um pouco do momento de vida, de coisas marcantes. É quase uma sessão de psicanálise.

“Tem gente que mantém várias peças nunca usadas, ainda com as etiquetas das lojas”, conta Bruna.

O objetivo das consultoras do Closet Detox é fazer as pessoas repensarem o consumo, redescobrir o que já existe no armário e aumentar a vida útil, reinventar a forma de vestir as próprias roupas de acordo com o estilo pessoal, reformar o que for possível e desapegar do que não reflete o estilo pessoal, vendendo ou doando as peças.

Bruna diz que elas querem trabalhar a moda do ponto de vista da sustentabilidade, incentivando as pessoas a pensarem antes de comprar, de onde vêm e para onde vão as roupas que elas adquirem.

“A indústria da moda é a segunda que mais polui no mundo”, adverte Bruna.

O que as clientes desapegam, elas vendem no brechó ficam com uma comissão e o restante repassam para as clientes. “As clientes acabam recuperando uma parte do que gastaram”.

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