Os norte-americanos têm mais medo de falar em público do que de tomar injeção ou viajar de avião, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Gallup. Provavelmente, tal pavor se aplica a quase todos os povos. No entanto, esse é o tipo de habilidade que se tornou obrigatória no mundo corporativo, e não apenas nos altos escalões da hierarquia. Você não precisa ser um gerente ou diretor para ter que fazer a apresentação de um projeto, ou liderar um grupo de discussões – então, não há muitas alternativas a não ser trabalhar para ganhar confiança e desenvoltura. Onde começar: decorar todos os slides? Fazer e refazer vídeos para estudar seus cacoetes? Talvez a melhor opção seja se colocar no papel de um contador de histórias que vai compartilhar uma experiência.

Por que isso funciona? Estima-se que 65% das nossas conversas diárias sejam compostas de histórias pessoais (incluindo as fofocas!). Portanto, esse tipo de interação remete a um ambiente familiar, no qual você pode se sentir confortável, e a recíproca será verdadeira para as demais pessoas, que no final das contas fazem o mesmo. Se ainda não se convenceu, pense que nossos ancestrais já tinham esse hábito: sentavam-se em torno de uma fogueira para falar de caçadas e conquistas. Pense que é como um “equipamento” que todos temos, é só pôr para funcionar. A vantagem de incorporar uma história pessoal à sua exposição é que você a conhece e não há necessidade de memorização. Também ajuda a relaxar e criar um canal de comunicação e empatia com os outros. Além disso, histórias precisam de uma estrutura para fazerem sentido, o que auxiliará sua apresentação a ter começo, meio e fim, sem perder o foco.

Não é o medo de falar em público que está no cerne da questão: o terror que nos acompanha é a preocupação sobre o que os outros pensarão de nós, e se o que nos aguarda é a humilhação pública. Como aguentar a ansiedade? Tire o foco de si mesmo e se concentre nas ideias que quer passar. Afinal, esse é o motivo de estar ali: é para vender seu peixe! Será que a camisa está amassada? O batom tem que ser retocado? É só nisso que vai pensar se treinar em frente ao espelho, e ainda há o risco de travar diante da plateia. Você não vai cantar, representar o personagem de uma peça, nem fazer truques de mágica. Sua missão não é ser aprovado num show de calouros, é estar confortável o bastante para apresentar uma questão, desenvolver um raciocínio e apontar conclusões. Tudo o que faz quando debate com amigos ou discute assuntos familiares. Dê-se um crédito na próxima ocasião.

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