A revista britânica “The Economist” acabou de publicar a sexta edição do levantamento que faz anualmente sobre as disparidades entre os sexos no ambiente profissional. O ranking, do qual o Brasil não faz parte, mostra os melhores e piores países para uma mulher trabalhar. Entre os 29 listados, nos três primeiros lugares estão Suécia, Noruega e Islândia. Na lanterna, Turquia, Japão e a Coreia do Sul. Na média, elas ocupam apenas 17% dos cargos de direção e as projeções estimam que somente em 2028 esse percentual chegará a 30%. No seleto grupo dos bons exemplos, tem havido um esforço concreto para mudanças. Em 2008, a Noruega obrigou as empresas de capital aberto a reservar 40% dos cargos de diretoria para mulheres. Nos cinco anos seguintes, outros dez países seguiram seus passos, criando quotas e estabelecendo multas para quem não as cumprir. Em janeiro, a Islândia se tornou o primeiro país do mundo a colocar em vigor uma lei garantindo a igualdade de salário entre homens e mulheres.

Quando o estudo é mais abrangente, fica claro que as nações ainda têm um longo caminho a percorrer em busca de igualdade entre os sexos. No relatório chamado “Global Gender Gap Report 2017”, divulgado no fim do ano passado pelo Fórum Econômico Mundial e que lista 144 países, o Brasil ficou em 90º. lugar – no ano anterior, ocupava a 79ª. posição. Nesse estudo, Islândia, Noruega e Finlândia estão na dianteira. O mais desanimador é que, mantido o ritmo atual, serão necessários mais de 200 anos para superar as diferenças de gênero no local de trabalho.

É por isso que “Press for progress” – em tradução livre, “Pressione pelo progresso” (porque sabemos que sem uma forcinha extra vai demorar ainda mais para acontecer) – será o tema do Dia Internacional da Mulher de 2018. A campanha vem a reboque da mobilização causada pelo #MeToo e pelo #TimesUp, contra o assédio sexual, que mostrou sua força para tirar predadores de postos de comando. Especialistas afirmam que algumas ações têm potencial para acelerar o ritmo das mudanças. Uma delas seria estimular o aumento do número de mulheres donas de seus negócios. Outra iniciativa importante: fazer com que as próprias mulheres se mobilizassem para dar chance a outras mulheres de ascender profissionalmente, encorajando-as a tomar decisões e abrir seu caminho no mundo corporativo. O espírito de sororidade, de irmandade, ainda precisa ganhar mais musculatura entre as representantes do sexo feminino. Construir um ambiente de trabalho inclusivo, capaz de trazer os homens para esta frente de combate, também poderia dar frutos. Se eles se sentirem excluídos ou desconfortáveis, haverá menos “soldados” para esta causa, e cresce entre eles o desejo de equilibrar melhor as demandas profissionais e familiares, como passar mais tempo com os filhos. A batalha pode ser de todos.

 

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